É fato entre os amantes do vinho o grande número de amigos que esta bebida nos trás ao longo da vida. Dado o meu envolvimento com este mundo, esta realidade é mais que verdadeira, pois tenho a honra de ter amigos viticultores, enólogos, vinhateiros, enófilos, estudantes, em todo o Brasil e fora dele, que constantemente me confirmam que a degustação de um vinho ou espumante somente faz sentido com uma boa companhia. E neste dia a história se repetiu.


Convidado pela amiga e enófila Dirce Heuser para uma visita à vinícola Miolo, do Vale dos Vinhedos – RS, três novas pessoas foram incluídas em minha lista especial dos amantes do vinho: o enólogo Tiago Bergonzi, a sommeliére Emanuelli Damin e o enófilo português Vitor Rui, com os quais passamos momentos inesquecíveis em companhia de grandes vinhos e espumantes. Recebidos com grande deferência na Vinícola Miolo, Tiago nos proporcionou uma tarde de ensinamentos e degustação, com vinhos e espumantes ainda em fermentação e, por fim, com alguns dos principais rótulos da empresa. (Foto: reprodução site vinícola)


A CANTINA


Grandes salões com tanques de aço inox e carvalho armazenam preciosidades que estarão disponíveis à degustação no futuro. Respondendo às nossas perguntas, Tiago nos mostra cada etapa do processo. Estrutura física minuciosamente pensada, tecnologia de ponta em todos os setores, e um cuidado extremo com a higiene e as boas práticas de produção, são verificados em toda a vinícola. O tamanho e a beleza das instalações impressionam.


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DEGUSTAÇÃO DIFERENCIADA EM UMA SALA ESPECIAL


Uma sala aconchegante, com mesas de degustação e uma bela vista dos prédios da Miolo e do Hotel SPA do Vinho ao fundo, com parreirais em espaldeira. Neste local degustamos, por mais de duas horas, quatro vinhos e dois espumantes, os quais, sem exceção, surpreenderam-me pela qualidade. Há tempo não degustava alguns destes rótulos da Miolo, e foi importante verificar que a empresa mantém o esmero na elaboração destes vinhos especiais.


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Os vinhos



O Quinta do Seival Castas Portuguesas retrata a estrutura e a complexidade dos grandes vinhos das cultivares Touriga Nacional e Tinta Roriz (Tempranillo na Espanha), com taninos e acidez vivos, e aromas complexos. Ainda jovem, possui grande capacidade de guarda, mas apresenta a suavidade e maciez dos vinhos elaborados com uvas da Campanha Gaúcha, com elevada maturação.



Há tempo não degustava o corte de Merlot e Cabernet Sauvignon de uvas provenientes do lote 43 do Vale dos Vinhedos, parte de terra destinada à família Miolo ao imigrar da Itália no século XIX. Sei que se trata de um vinho diferenciado, mas admito que este 2012 superou todas as minhas expectativas de qualidade e complexidade. Encorpado e potente, aromas de frutas negras, pimenta do reino e toques do carvalho (café e tostado), no paladar taninos e acidez vivos, e fundo de boca persistente. Apesar da estrutura, elegante, que merece ser aerado para liberação de aromas, e combinado com pratos especiais de carnes vermelhas condimentadas. Uma obra prima da viticultura e enologia brasileira.



Por fim, dois espumantes Brut Branco e Rosé, com a qualidade reconhecida deste produto no Brasil. Macios e refrescantes pela acidez, aromas de frutas brancas e vermelhas, respectivamente, podem ser degustados com entradas leves ou pratos requintados de frutos do mar e carne branca. Um encerramento perfeito para uma grande tarde, em uma das mais importantes vinícolas do Brasil e do mundo, com um portfólio de produtos capaz de agradar a leigos e enófilos experientes.



Renovo o agradecimento ao enólogo Tiago Bergonzi, que apesar do cargo que ocupa e da referência que se tornou no mundo do vinho, mantém – se simples e atencioso; e à amiga Dirce Heuser, pelo convite e pela amizade.


Até nosso próximo encontro !!!