Não costumo fazer comparações, mas abro uma exceção, pois é impressionante a similitude do estilo dos vinhos de Antoninho Calza com exemplares italianos (Chianti e Rosso di Montalcino), com taninos macios e acidez presente, gastronômicos e potentes. Estas características são acompanhadas de aromas, sabores e estrutura distintas conforme as uvas e o processo de vinificação de cada vinho, tornando a degustação de seus produtos uma experiência deliciosa.


Meu primeiro contato com este Sangiovese foi no encontro da Confraria I’Bei, na qual o brasileiro foi considerado o melhor entre dois Chianti e um argentino, em uma degustação às cegas. Em degustação recente com amigos em Vitória - ES, o vinho confirmou ser excelente.


Uma das mais importantes cultivares italianas, pouco produzida no Brasil, a Sangiovese possui  enorme potencial quando manejada com competência, e claro, em anos de boa maturação. Comumente mal entendida por quem associa bons vinhos à cor escura, sua coloração clara pela menor presença de antocianas na casca não quer dizer baixa quantidade de polifenóis e ácidos que garantem a qualidade de um vinho. Parabenizo Antoninho por elaborá-lo com 100% de Sangiovese, não adicionando uvas tintórias para mascarar.


Rubi de média intensidade, complexo e estruturado, aromas de frutas vermelhas, florais e leve toque de carvalho, mais uma prova da competência deste enólogo, que usa barrica sem excesso. Na boca taninos macios e acidez viva, mas delicada, com fundo de boca persistente e aromático, sabor de frutas maduras, capaz de harmonizar com pratos que pedem um vinho delicado e elegante, e com os que exigem um vinho encorpado e volumoso.



O Capítulo IV Ouro Negro, corte de 40% de Merlot e 60% de Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Tannat, pode ser denominado um vinho didático, pois reflete exatamente a composição das uvas que contêm. Coloração rubi escura, ainda jovem (Alicante e Tannat), suavidade e elegância da Merlot, estrutura e potência das demais, complexo  e macio. No aroma, transformações ao longo das horas de decanter e taças, com frutas vermelhas e negras maduras no começo, acompanhadas posteriormente com pimenta do reino, alcatrão, chocolate e mel, diversidade que se amolda à experiência olfativa do degustador.


No paladar a sensação de prazer repassada por este vinho impressiona, pois equilibrar um sabor diferenciado, leveza e potência não é fácil. Estruturado, com taninos e ácidos vivos, harmonizou perfeitamente com tira gostos distintos entre torresmo mineiro, zaatar libanesa com azeite, pão árabe e queijos.



Ouro Negro Reserva Cabernet Sauvigon 2008. Ao degustar este vinho com os amigos Beto e Fabiana Sberse, deparei-me com o que, na minha opinião, é um verdadeiro exemplar desta variedade; encorpado, estruturado, com personalidade, feito para quem busca complexidade e potência, ao contrário das bombas alcoólicas e doces de alguns países do novo mundo, que descaracterizam esta cultivar. Ao abrir a garrafa ficou claro o porquê de ter sido guardado por alguns anos para amadurecer. Ao fim, partículas sólidas precipitadas, assim como nos demais vinhos, por conta de uma vinificação que respeita o extrato seco, evitando clarificações e filtragens agressivas.


Mesmo não tendo tempo para aerar como gostaria, o vinho se mostrou um espetáculo em todos os sentidos. Coloração ainda rubi escura intensa, taninos macios, mas presentes, acidez perfeita, equilibrada, que confirma sua capacidade de guarda...aromas de frutas negras maduras, pimenta do reino e leve tostado. Um dos melhores Cabernet Sauvignon que já degustei. Bastante gastronômico, harmonizou com um assado de enrolado de peito de frango com presunto e creme de leite.