Publicado em 02 de Abril de 2016

Localizada no bairro Villa Nova, em Porto Alegre – RS, a Villa Bari merece ser conhecida e apreciada. Parreirais e cantina, acompanhados de um empreendimento hoteleiro com 7 apartamentos de luxo, impressionam pela beleza e grandiosidade. 


Foto panorâmica do complexo da Villa Bari, que inclui a residência de Luis, o hotel e a vinícola.


BARICHELLO  


Defino Luis Barichello como um produtor de vinhos visionário, que investiu em projetos audaciosos no Brasil e na Itália. Uma pessoa simples e alegre, que mantém a essência do italiano que gosta de curtir a vida com um bom vinho e boas amizades, unido ao estilo do empresário compenetrado e sempre atarefado. A paixão pelo vinho é tanta, que Barichello não se conteve em construir somente a Villa Bari, mas também incluiu no projeto vitivinícola uma cantina na Toscana - IT, a Villa Triturris. Esta ainda não conheço. Quem sabe um dia!!!

Foto: Almoço com Barichello no restaurante Mamma Gema, Vale dos Vinhedos.

 



O TURISMO ENOLÓGICO VILLA BARI –  Hospedagem e Vinhos para o Turista


Assim como diversas vinícolas na Serra Gaúcha, a Villa Bari alia um empreendimento hoteleiro à produção vinícola, proporcionando um turismo enológico completo. O hotel ainda não está em operação, pois Barichello busca parceiros para administrar e operacionalizar este serviço.

Em minha visita à Villa Bari estava acompanhado de minha mãe, dona Boneca, do produtor de vinhos Vilmar Bettú, amigo de Barichello e Marcelo Wathier, genro de Bettú. Juntaram-se dois convidados de Barichello, Alexandre e Stédile, completando o grupo. Barichello faz um tour completo pelo local, mostrando os parreirais, a sua residência na parte inferior, os 7 apartamentos no andar superior, e a vinícola nos fundos .




A CANTINA E OS VINHOS – Tecnologia e Simplicidade em vinhos com estilo Amarone



A qualidade dos vinhos da Villa Bari começa na excelente qualidade dos vinhedos e termina em uma pequena cantina tecnologicamente avançada, que deixaria o mais exigente dos enólogos impressionado. O prédio, de dois andares, possibilita o processamento das uvas por gravidade, o que reduz o uso de bombas e o menor contato com o oxigênio.  O andar superior, onde as uvas são recebidas, possui um equipamento que produz uma corrente de ar que mantém o ambiente, e consequentemente as uvas, com o teor de umidade correto ao longo do processo de apassificamento. No andar inferior ficam os tanques de aço inox, barris de carvalho, engarrafadora e rotuladora, e uma pequena adega para os vinhos em amadurecimento. Tudo muito bem distribuído.


Foto: Cantina da Villa Bari




DEGUSTAÇÃO


Após o tour pela propriedade, retornamos à varanda que havia sido previamente preparada para a degustação dos vinhos da linha Gran Rosso e dois exemplares vinificados na Villa Triturris, na Toscana – IT. O vinho nos proporciona momentos de interação com amigos que dificilmente são esquecidos. Foram algumas horas de um bate papo descontraído, num lindo local, tudo acompanhado por ótimos vinhos.



OS VINHOS VILLA BARI E  TRITURRIS


Apaixonado pelo estilo Amarone, Barichello reproduz no Brasil as características dos vinhos que tanto ama. O resultado impressiona; sua dedicação e cuidado na elaboração resultam em vinhos encorpados, lembrando seus pares italianos. Com um rótulo único, uma bela arte, os exemplares são diferenciados pela safra e variedade impressos no contra rótulo. Perdoem-me, mas eu os deixarei com água na boca, pois Barichello não o vende mais, abre somente em algumas ocasiões, como no caso de nossa visita, felizmente. Fenomenal, encorpado, aromas frutados apesar da idade, toques de baunilha e cravo, grande persistência em boca, taninos ainda presentes e acidez viva, tornando-o muito gastronômico.  Foi o término de um encontro regado a vinhos memoráveis, brasileiros e italianos, produzidos por Barichello.



Os Vinhos Gran Rosso



Atualmente a Villa Bari comercializa três assemblages de Cabernet e Merlot das safras 2005, 2006 e 2007. Mesmo tendo o mesmo corte (50% de cada variedade) e processo de passificação das uvas, trata-se de três vinhos distintos, e não somente pela idade. É sabido que grandes vinícolas padronizam os vinhos de uma mesma linha ano após ano (há dezenas de produtos para se corrigir e padronizar vinhos diferentes), o que não ocorre numa produção pequena, que apresenta o que a uva gerou em cada ano, o que me agrada. Quem ama o vinho quer variar, descobrir coisas novas, não ficar num mesmo paladar.

Foto: Rótulo frontal dos vinhos Gran Rosso


Gran Rosso 2005


Não somente por ser o mais amadurecido, mas pela grande safra de 2005, o Gran Rosso 2005 é surpreendente, com grande complexidade no paladar e aromas, mesmo sem estágio em carvalho (nenhum deles tem). Coloração Rubi escura, intenso aromas de frutas negras e secas, chocolate e café, e paladar com taninos macios e ótima acidez. Dada a complexidade, é o tipo de vinho que gosto de decantar por algumas horas para liberar aromas distintos ao longo da degustação. Outra característica interessante deste e dos demais Gran Rosso é o bom preço de venda ao se pensar na qualidade do produto que degustará.



Gran Rosso 2006


Em uma degustação às cegas eu diria que este vinho passa por carvalho. As características amadeiradas estão muito presentes (neste caso, derivadas da passificação), no aroma e paladar, o que, para mim, reduz sua complexidade e os torna macio e aveludado, com menores tanino e acidez, acentuando o adocicado das uvas passas no final de boca. No aroma a baunilha e caramelo suplantam os aromas varietais e do amadurecimento. Lembra bons vinhos chilenos; fica a dica para os que gostam do estilo.


Gran Rosso 2006



Gran Rosso 2007


Voltamos ao meu estilo de vinho. Encorpado e complexo, com taninos e acidez vivos, aromas variados de frutas negras, chocolate e especiariais (ervas). Dos três é o menos pronto e com grande capacidade de amadurecimento. Gostei muito deste vinho, mas tive dificuldade para entendê-lo. Terei que degustar novamente. Eu me lembrei do amigo Evair Carraro (vinícola Michelle Carraro), que diz: “odeio quando alguém diz que o vinho tem aroma de especiarias...há centenas de especiarias com aromas distintos...qual delas? Se não entendeu o vinho, fique calado”. Pois é, no caso do 2007, eu deveria ter ficar calado. Quando ele ler esta matéria terei problemas!!!


Gran Rosso 2007


L‘Arco – Rosso Del Veronese e Chianti Clássico

 

Por serem vinificados por Barichello na Itália, estes dois vinhos merecem ser destacados na Adega do Chamon, sobretudo por poderem ser adquiridos no site da Villa Bari, junto com os exemplares nacionais. Um autêntico representante do Vêneto, produzido com as uvas Corvina, Rondinella, Molinara, Sangiovese e Teroldego, o L ‘ Arco – Rosso Del Veronese impressiona, como os grandes Valpolicella.


Sobre o Chianti Clássico, apesar de adorar a cultivar Sangiovese, assumo que nunca fui um grande fã deste vinho da Toscana, por, em geral, ser ligeiro e de corpo leve, diferente dos Brunelo de Montalcino, Barolo e Supertoscanos. Por isso, a surpresa quando degustei o Chianti Clássico Turris 2012 foi enorme. Não acreditei, e não é demagogia. Se não acredita, prove o Turris 2012, verá que não minto.



Por fim, uma informação muito boa para os amantes do vinho. A partir de julho de 2016 será colocada à venda a linha Rosso In Legno, da Villa Bari. Segundo Barichello é o mesmo Gran Rosso, mas com estágio de 18 meses em barricas de carvalho de 5.000 Lt. Esperarei ansioso.


Até nosso próximo encontro!!!