Degustação: junho/2018

Antes da análise dos vinhos abordo duas questões. Comum ouvir “especialistas” de plantão que dizem que o Brasil elabora vinhos com capacidade de guarda de no máximo 5 anos, por não terem estrutura suficiente. Em 2017 visitei 14 vinícolas do Uruguai e a expressão de ordem entre os enólogos é “domar a Tannat”, elaborar um vinho pronto, macio, com baixa concentração de taninos e ácidos, para se beber jovens.


Na noite que degustei o Tannat 2005 Bettú e o Tannat 2008 Calza com os amigos da confraria em Vitória - ES, degustamos um Tannat Gran Reserva 2015 de uma das maiores e mais importantes vinícolas uruguaias. Álcool elevado, macio, adocicado, com o seu extrato seco dominado por carboidratos, um vinho comercial, pronto para se beber, sem estrutura e capacidade de envelhecimento pela baixa presença de taninos e ácidos.


A dupla brasileira de 2005 e 2008, ao contrário, coloração escura, presença de antocianas a serem polimerizadas, taninos e ácidos vivos, estruturados, potencial de guarda mantido, gastronômicos, com aromas e sabores primários e secundários pela juventude presente, mesclados pela elegância e complexidade do envelhecimento na garrafa.

Elaborar vinhos Tannat com baixa concentração de taninos e ácidos, macios e padronizados, para se vender rapidamente, é uma aposta comercial a ser discutida no longo prazo, por descaracterizar o potencial e a tipicidade desta cultivar.

Parabenizo Antoninho Calza e Vilmar Bettú pelos vinhos excepcionais, que exigem envelhecimento para se tornar elegantes e complexos, como os grandes vinhos clássicos de outrora.