Jantar na casa de Fabiana e Beto Sberse é sempre uma festa. Beto, o cozinheiro, convidou-nos para comer um Baurú, um assado de legumes e carnes distintas, cobertos por um creme ao quatro queijos. Mais um prato delicioso que provei na Serra Gaúcha e que combinou bem com dois representantes de peso da vitivinicultura da região, o Superiore 2008 da vinícola Estrelas do Brasil, que leva o nome da família do seu proprietário, Irineo Dall’Agnol, e o Caberbet Sauvignon Reserva 2012 da Don Laurindo (ambas as vinícolas serão, em breve, apresentadas na Adega do Chamon).


Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Tannat, o Superiore impressiona pela evolução, apresentando aromas que ao longo da degustação variam de frutas pretas maduras a secas, leve herbáceo e pimenta do reino, café e chocolate. Apesar da idade, ainda apresenta cor escura e taninos presentes, apesar de macios, e a acidez que eleva a qualidade final do vinho, tornando-o gastronômico e complexo. Outra coisa interessante é seu ótimo preço.



A Don Laurindo e seu proprietário, Ademir Brandeli, são personagens importantes no crescimento da vitivinicultura da Serra Gaúcha e do Brasil. Ao contrário da maioria dos produtores da região, os vinhos da Don Laurindo apresentam traços marcantes de carvalho em seus aromas e paladar, com notas de baunilha e tutti fruti. O Reserva Cabernet Sauvignon tem um leve toque de pimentão e pimenta do reino verde, complementando a presença do carvalho. Na boca o carvalho gera volume, e um sabor adocicado no fim. O Bauru, por ser um prato com temperos fortes e com a presença do creme de queijo recebeu bem este Cabernet, mas é preciso tomar cuidado, pois se o seu prato for leve, certamente o vinho o encobrirá. Ao fundo, a presença de duas gerações, a minha mãe (Boneca) e a Gabriela, filha dos anfitriões, mostram a alegria do momento.



A dupla de vinhos enfrentando o Baurú. Não houve vencedores, combinações perfeitas. Como levei uma marmita, no almoço do outro dia estava ainda melhor.