O jornalista e enófilo Felipe Machado, da rádio Difusora 890AM de Bento Gonçalves, oferece – nos duas propostas distintas de vinhos gaúchos. O primeiro rótulo é da Lídio Carraro, vinícola que tradicionalmente elabora seus vinhos sem passagem por barrica, privilegiando as características da uva. Este tipo de trabalho exige que a uva e a vinificação sejam de grande qualidade, pois a empresa se obriga a elaborar vinhos diferenciados sem o benefício do carvalho, que aporta taninos e aromas que ampliam a complexidade de bons vinhos, mas também “evoluem” vinhos limitados. Com uvas provenientes de Encruzilhada do Sul, nova e excelente região da viticultura gaúcha, a Lídio Carraro se esmera na aquisição de sua matéria prima.


A cultivar italiana Teroldego, presente no Singular 2010, é conhecida por ser extremamente tintória, com taninos e ácidos bastante presentes, resulta em vinhos encorpados e longevos, o que foi confirmado por Felipe. “Vinho com ótima acidez e taninos marcantes, encorpado e persistente, com 14% de álcool. Com potencial de envelhecer por alguns anos na garrafa, combinou com uma massa apimentada com calabresa”.  


Felipe mantém o vinho tinto seco também na sobremesa, com o Cabernet Franc da Rotava, vinícola de Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves – RS. Conhecida por produzir vinhos de uvas comuns desde a década de 1990, com a marca Monte Rosário, o enólogo Paulo Rotava recentemente inicia a elaboração de vinhos de uvas Vitis viníferas, austeros e de corpo médio a forte. Também com grande preocupação com a qualidade das uvas, Paulo complementa sua vinificação com o uso de Staves, partes das madeiras que compõem a barrica, chamadas de aduelas, que são colocadas diretamente nos tanques de aço inox, repassando ao vinho seus aromas, sabores e taninos. Segundo Felipe este Cabernet Franc ainda é jovem, e deve evoluir nos próximos anos. Aromas intensos de frutas vermelhas, taninos e acidez de médio corpo, acompanhou a sobremesa de chocolate misto (branco e preto), fechando a noite!!!