A seção “Você e o Vinho”, aqui da Adega do Chamon, é realmente especial! É muito bacana ver tantos amigos compartilhando seus vinhos, valorizando o produto nacional e dividindo suas experiências.


Um grande entusiasta dos vinhos do Brasil, e confrade no Clube da Adega do Chamon, é o amigo Orlando Carvalho, de Macaé-RJ.


Numa verdadeira seleção de grandes exemplares, Orlando nos deixa com água na boca, mas também muito felizes em saber que todos os dias mais pessoas degustam, conhecem e se interessam em difundir esta cultura maravilhosa que é o vinho.


Vale muito a pena conferir. Está imperdível! Abram uma taça, e aproveitem!

 


CABERNET SAUVIGNON 2005 - LUCINDO – VINÍCOLA CAVAS DO VALE

Degustação: 11/11/17


A estrutura do Lucindo, acidez ainda presente e as características de evolução terciária combinaram perfeitamente com o a carne de porco... Neste dia estava num restaurante de um francês, acostumado aos bons vinhos, levei o vinhos sem rótulo e fiz ele degustar... ficou encantado e super impressionado ao saber que era nacional... achou até que lembrou alguns vinhos da Itália... sucesso sempre!!


 


CONFRARIA DE MACAÉ – BRASIL x VELHO MUNDO

Degustação: 08/12/17


Este foi mais um encontro da Confraria de Macaé, onde fiz uma brincadeira colocando com os pratos servidos sempre harmonizados com vinhos.  Foi uma disputa entre velho e novo mundo, onde todos os vinhos do novo mundo degustados, eram nacionais. Em diversos casos os nacionais surpreenderam, com destaque para os espumantes da serra gaúcha, devido sua presença de boca com acidez e características cítricas como maça, pera, mamão nectarina, além de toques minerais... podem ser degustados sozinhos ou acompanhados de pratos leves e a base de frutos do mar... combinaram bem com a antepasto misto...


Menu - Contemporâneo

Vinhos – Um passeio pelo Novo e Velho Mundo / Sequência da Degustação


Entrada 1 – Antepasto misto da casa
Espumante Arbugeri Victoria Brut
Espumante Arbugeri Victoria Brut Rosé


Entrada 2 – Bruschetta de Gorgonzola com Parma
Espumante Shabo Gold Brut One


1º Prato – Capeletti do Mar: massa de pimentão com bacalhau e molho de espumante (opção massa com molho de funghi)
Espumante Viapiana 575 Dias Brut Champenoise
Clos Cattacini Gewurztraminer 2014
Paralela Graševina 2013


2º Prato – Mignon na manteiga de ervas e risoto Grana Padano
Gamza Golden Label 2011

Calza Merlot 2004

Lucindo 2005


Sobremesa – Ravióli Asiático ( Ravióli de manga c/ risoto de coco, sorvete de gergelim e calda de Gengibre)  ou opção Brownie ao chocolate


QSM Portento


No caso do Capelleti, tanto o espumante quanto o Clos Cattacini cumpriram seu papel. O Cattacini apresentou seu diferencial pela uva Gewurztraminer. Apresentando boa presença de boca , boa acidez e  uma mescla de aromas de flores e frutas com boa integração com a madeira... também teve boa combinação com o prato, mas neste caso creio que o espumante Viapiana ficou um degrau a frente na harmonização.


Com relação ao Lucindo Cabernet Sauvignon 2005 da Cavas do Vale e o Ouro Negro Merlot 2004, da Vinícola Calza. O Ouro Negro agradou um pouco mais aos Confrades, pois é um vinho que tem características mais equilibradas num primeiro momento e menos terciárias que o Lucindo, e com um pouco mais de vivacidade na boca, tornando-o mais fácil de ser apreciado pela maioria das pessoas... Como fiz apresentação às cegas, alguns presentes juraram que o Lucindo possuía muita madeira e não gostaram muito, mesmo depois de serem informados que não passava em madeira, que esta situação se dava devido a sua evolução já terciária.


 


VINHOS VIAPIANA - Corte Barricas selecionadas, Expressões Marselan, Merlot, Cabernet e Chardonnay

 

CHARDONNAY:   com 13%, passou 14 meses em carvalho francês sobre as borras finas, por estabilização proteica e tartárica seguido de filtração grossa a frio. 50% do vinho realizou fermentação malolática. Cor amarela-dourada, aromas nozes, chocolate branco e maçã. Em boca é untuoso, saboroso e com final amanteigado... Se percebe claramente o trabalho da madeira aqui.


CABERNET:  - 13 meses em barricas de carvalho americano, com 12,5%, achei um pouco desequilibrado... muita madeira, parecia que degustava um chá de madeira.


MERLOT: é um vinho de coloração vermelho-rubi intenso. Com passagem de 14 meses em madeira e 13,8% de álcool. Revela aroma frutado com predominância de frutas negras como ameixa e amoras, toque de chocolate, menta e outras especiarias. No paladar apresenta boa estrutura tânica com ótimo frescor, preservando o equilíbrio.


MARSELAN: este vinho tem uma passagem por madeira muito superior a maioria dos vinhos, 22 meses em barricas de carvalho americano, mas isto não se nota tanto quanto no Cabernet. O teor alcoólico é de 12,6%. Possui aromas de cassis, couro e especiarias. Em boca, mostra-se apimentado, com taninos bem presentes, mas aveludados e ótima acidez.


CORTES BARRICAS SELECIONADAS - um vinho de personalidade sem dúvida, além de ter um corte um pouco fora do convencional... 60% Merlot 2012, 20% Cabernet Sauvignon 2012, 10% Cabernet Sauvignon 2011 e 10% Marselan 2012.  Estagia por incríveis 25 a 38 meses em barricas de carvalho francesas e americanas, com 13,5% de teor alcoólico.  Apesar da imponência, apresenta boa harmonia entre as variedades, boa estrutura tânica, ótimo volume de boca e acidez presente, o que o torna um vinho com boas qualidades para gastronomia...


 


VINHOS FABIAN - Gran Fabian e F 35


FABIAN F 35 – Este vinho tem uma incrível seleção de 35 variedades de cultivares, todas da mesma safra de 2009. É um vinho de edição única para uma inusitada experiência enológica. Estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano, tendo 13,4% de álcool. É um vinho harmônico, com o corte das variedades conseguiu-se um vinho expressivo, com aromas de frutas silvestres. Na boca é equilibrado, apesar de expressivo, se mostrando gastronômico e com potencial de guarda.


Variedades: Tannat, Merlot, Malbec, Cabernet Franc, Refosco, Primitivo, Teroldego, Dolcetto, Pinot Noir, Sagrantino, Aglianico, Croatina, Graciano, Touriga Nacional, Nebbiolo, Franconia, Syrah, Negroamaro, Molinara, Raboso, Lambrusco, Cabernet Sauvignon, Mencia, Carmenére, Marselan, Gamay, Rondinella, Corvina, Cariñena, Montepulciano, Ancellota, Sangiovese, Tempranillo, Barbera e Petit Verdot.

 

GRAN FABIAN 2005 - Fabian Gran Reserva 2005 é um vinho de guarda com corte composto de Carmenère (38%), Cabernet Sauvignon (28%), Merlot (26%) e Ancellota (8%). Tem 13,5 %  de álcool e estagia 14 meses em barricas de carvalho francês e americano apresentando uma ótima estrutura e evolução, coloração vermelho rubi, em seus aromas percebemos  notas de frutas silvestres, baunilha e chocolate. Em boca, mostra equilíbrio e estrutura, bom para pratos mais pesados...


 



AZZUL CATTACINI – ESPUMANTE EXTRA-BRUT


O AZZUL CATTACINI é um espumante natural extra brut, elaborado com 100% de Peverella, (uva que ainda não tinha tido a oportunidade de provar) e em conjunto com a Vinícola Piagentini, produzido pelo método tradicional, e envelhecido por um ano e meio sobre as próprias leveduras da fermentação. Isto acabou oferecendo uma complexidade e cremosidade particulares. 2/3 do vinho estagiou 5 meses em barricas de carvalho francês de reuso. Apresenta teor alcoólico de 13%.  Possui coloração amarelo palha intenso, com reflexo dourado. Perlage fino, abundante e persistente, denotando sua alta qualidade. Seco e com acidez presente, com ótima persistência do aroma frutado de damasco. Mesmo sendo classificado como extra brut, graças ao processo de autólise em torno 18 meses e uma correta vinificação, percebemos grande maciez e cremosidade na boca.


 


PERFETTO - VINÍCOLA TORCELLO

 

TORCELLO PERFETTO Tannat 2014 -13% -Este vinho foi produzido com uvas cultivadas em videiras conduzidas no formato espaldeira, com produção controlada de 1 Kg de uva por pé. Estagiou durante 8 meses em barricas de carvalho americano e francês sendo de primeiro uso, resultando num vinho complexo e encorpado, taninos e acidez equilibrados com perfeita harmonia da fruta com a madeira... Um grande vinho... Um dos melhores na minha opinião!

 

TORCELLO PERFETTO Merlot 2014 - 13% - Vinho foi produzido com uvas cultivadas em videiras conduzidas no formato espaldeira, com produção controlada de 1 Kg de uva por pé. Estagiou durante 8 meses em barricas de carvalho americano e francês sendo de primeiro uso. Aroma agradável da madeira sem inibir as notas de frutas escuras, denso, com taninos presentes e equilibrados, retrogosto de longa persistência.


 


ESPUMANTES FIM DE ANO

Degustação: 31/12/2017 - 01/01/2018

 

Barcarola: cor amarelo palha com nuances esverdeadas, perlage fina, delicada e intensa. No nariz notas florais, frutas tropicais e chocolate branco, apresenta cremosidade delicada e boa acidez..

 

Calza: possui aroma complexo com toque frutado lembra frutas maduras. Sua perlage é longa com paladar equilibrado e Aromas de frutas tropicais maduras com notas cítricas da fermentação, e um leve mineral. Em boca apresenta leveza, frescor e cremosidade

 

Marco Luigi 10 anos: apresentou perlage abundante e intensa, deixando certa cremosidade em boca. A acidez, para mim, poderia ser mais presente, já que é um espumante... na minha percepção ficou faltando um pouco de acidez e um toque de frutas e/ou cítrico, que devem  ter sido suprimidos, creio eu, devido ao longo tempo de maturação...

 

Bons espumantes nacionais, como sempre, mas esperava mais do Marco Luigi, afinal pelo preço ele deveria surpreender e se destacar de forma absoluta em relação aos demais, mas não foi o que aconteceu... a relação custo x benefício neste caso ficou muito desproporcional.


 


VINHOS E CHURRASCO!

Degustação em Vitória/ES: 03/02/18


Fizemos degustação de vários vinhos de novo mundo e velho mundo num churrasco. Os de novo mundo eram nacionais, o Lucindo e o Marco Luigi.


Marco Luigi: uvas Merlot, Marselan e Malbec. Barricas de carvalho, 12 meses. Uma bela garrafa com um rótulo esmerado na produção, mas, um vinho que não me pareceu muito complexo, apesar da história envolvida em sua produção e também por sua mescla, parecendo muito macio e fácil, de beber, e que não dependeria de uma boa comida para ser degustado.


Lucindo: O destaque sem sombra de dúvidas disparado foi o Lucindo, mostrando sua potência, evolução e corpo, ainda que num estágio avançado de evolução com características clássicas de evolução terciária, mas com uma vivacidade, acidez taninos bem integrados, e que suportam bem o tempo no decanter, melhorando suas características a cada gole que degustávamos... Um vinho surpreendente e que, na minha visão, em alguns casos poderia perfeitamente ser confundido, às cegas, com bons vinhos do velho mundo, em especial a Itália.


Em segundo ficou o vinho Croata, em terceiro o espanhol e o Marco Luigi veio por último. Para mim isto aconteceu porque o Luigi era o vinho mais simples e fácil de beber. Um tipo de vinho que muitos gostam, mas pra quem gosta de estrutura e complexidade ele fica devendo.


 


TEROLDEGO 2012  - VINÍCOLA BARCAROLA  

 

Está aqui uma grata surpresa. Ainda não tinha provado nada desta casta até bem pouco tempo quando fiz a compra pelo grupo (Clube Adega do Chamon), e confesso que não tinha me encantado muito com esta uva, afinal é uma uva com características peculiares.


A primeira garrafa que degustei não me provocou grandes paixões, afinal cada um tem um paladar, mas dá pra perceber que é uma uva que tem boa estrutura para produzir vinhos vigorosos devido sua concentração de taninos e acidez, com aromas frutados e vegetais em explosão... então puro, sem nenhuma comida a altura, não é um vinho fácil de beber.


Mas, como sou teimoso e sempre continuo em busca de conhecer melhor cada vinho que degusto, abri agora uma nova garrafa, e decidi experimentar com algo mais forte que a carne que tinha experimentado da primeira vez, e arrisquei com certa ousadia, com bacalhau a espanhola um prato bem untuoso e potente, já que leva muito azeite, tomate cebola e pimentões. E, em outro dia, com Queijo Azul com Nozes e Damasco Santo Casamenteiro Cruzília, que trata-se de uma combinação harmoniosa de um queijo gorgonzola mofo azul, pasta de queijo bem cremosa, com pedaços de nozes e damasco. E não é que deu certo! A combinação foi super acertada, e o vinho encaixou como uma luva, por incrível que pareça, nas duas situações mencionadas.


 

 

HABITAT PINOT NOIR

Degustação: 07/03/18

 

A vivacidade, a explosão de frutas e acidez presentes neste Pinot fizeram uma bela harmonização. É um vinho que pode até ser degustado sem compromisso com uma boa comida. Agradável ao nariz e ao paladar. Na foto podemos observar a cor viva e brilhante, até um pouco intensa, comparado com alguns pinot noir, denotando até uma ligeira turbidez olhando contra a luz. Foi degustado com medalhão de frango ao bacon recheado com queijo, cebolas caramelizadas na própria gordura do bacon, ao tempero de ervas finas acompanhado de salada. E por incrível que pareça a harmonização foi fantástica.


 


QUINTA DON BONIFÁCIO – TANNAT 2007 E ESPUMANTE ROSÉ BRUT

Degustação: 16/03/18

 

Para o Rosé, o acompanhamento foi um pernil a Rossini, que um massa fina folhada crocante, hambúrguer de pernil suíno , foie gras, chips de banana e molho aioli. O espumante, devido sua acidez, frescor e presença de cítrico com frutado, surpreendeu ao escoltar esta entrada de forma esplêndida.

 

Prato Principal Short Rib de Angus ao molho chimichurri caseiro e risoto de açafrão, com Tannat 2007. O vinho estava simplesmente fantástico, pela  cor já se percebia seu estágio de evolução, a perfeita integração de fruta e madeira que se notava sutilmente devido a sua estrutura, e alguns aromas e sabores decorrentes da passagem em madeira. Sua acidez e características de frutas negras maduras se integravam perfeitamente com a suavidade da madeira, a carne estava simplesmente fantástica, mas o vinho não deixou nem um pouco a desejar. Um jantar memorável!


 


TABOCAS – CABERNET SAUVIGNON 2016



Inacreditável a característica deste vinho, nunca tomamos um Cabernet igual a este! Tem um toque herbáceo acentuado, e também de iodo, mas na boca, é incrível como bacalhau ficou perfeito... Nunca imaginei. Acidez média, taninos domados e equilibrados harmonizando com o prato... Muito interessante.


Me surpreendeu este Tabocas... Na taça depois de um tempo me lembrou alguns chilenos que provei. Tem muito pimentão, mas nada que fique difícil de beber.


 


Obrigado Orlando, por compartilhar com tanta riqueza de detalhes e nos permitir conhecer tantos rótulos incríveis sob seu ponto de vista, um apaixonado por vinho e um grande entusiasta do vinho nacional!


Tim-Tim!!