No aeroporto de São Paulo esperando a conexão para Caxias do Sul

Tive o prazer de receber 12 enófilos do Espírito Santo que vieram à Serra Gaúcha para melhor conhecer os vinhos e espumantes brasileiros. Trata-se de um grupo experiente, que visitou vinícolas em diversos países e que degusta grandes vinhos de todo o mundo, o que fez desta visita um desafio para mim e para todos que os receberam. Nosso objetivo era mostrar que os produtos do Brasil podem estar na adega de qualquer enófilo, junto a grandes rótulos internacionais. Da mesma forma, esta era a intenção deles, ávidos por abraçar o que os produtores e enólogos da Serra Gaúcha teriam para lhes oferecer.


Meu primeiro desafio foi definir as vinícolas que comporiam o circuito, entre muitas excelentes na Serra Gaúcha. Para ser justo e abordar todas as regiões em torno de Bento Gonçalves, aonde o grupo ficaria hospedado, montei um roteiro que contivesse vinícolas da cidade anfitriã, Garibaldi e Pinto Bandeira, diversificando os terroirs e os pontos turísticos. O pacote foi composto por uma grande vinícola e seis pequenas e médias:





QUINTA-FEIRA 09/06


CASA VALDUGA

Área externa e parreiral

O nosso tour começou na quinta-feira de manhã, na Casa Valduga, aonde conheceram as instalações e almoçamos. Apesar de minha explicação prévia, o grupo foi recebido como turistas, e não como enófilos, não sendo disponibilizada uma degustação técnica dos vinhos e espumantes da casa, apenas uma visita guiada pela empresa, com a apresentação de dois rótulos tintos e um espumante. Desta forma, a grande compra de vinhos e espumantes que ocorreria nas demais vinícolas, não houve na Valduga.


De qualquer forma, o grupo se impressionou com a beleza das instalações, com as caves de vinho e espumante, o parreiral, a linha de engarrafamento, o varejo e o restaurante. Durante a refeição o grupo degustou o Cabernet Franc Raízes, um vinho bastante agradável, incluso no cardápio, e o Cabernet Sauvignon 2002 Gran Reserva, que um dos confrades comprou no varejo e ofereceu aos amigos. O vinho estava excelente, com perfeito amadurecimento, taninos e acidez equilibrados, ótima persistência em boca, e uma mescla de aromas terciários de frutas secas e especiarias.



PIZZATO VINHOS FINOS


Após o almoço nos dirigimos para a vinícola Pizzato, sendo recepcionados pelo senhor Plínio Pizzato, proprietário e fundador da vinícola, o que nos deixou encantados pela deferência. Profundo conhecedor das necessidades de um parreiral, ele nos deu uma aula sobre como obter uva de qualidade para elaborar grandes vinhos. O frio e a beleza da região complementaram este momento tão especial. 



Na cantina e na degustação de 12 rótulos, fomos conduzidos pela enóloga Carol, que nos explicou com muita competência as técnicas de elaboração dos vinhos e espumantes, bem como, avaliou os rótulos que degustamos. Ao final de quase 5 horas de visita, o reconhecimento da excelente qualidade dos produtos por todos.



SEXTA-FEIRA 10/06


VINHOS LARENTIS E COSTELÃO GAÚCHO


Com a manhã livre, o grupo conheceu o centro de Bento Gonçalves e aproveitou para equipar o guarda roupa contra o frio de 0° que fez no fim de semana.



À tarde visitamos a vinícola Larentis, empresa familiar que se esmera na elaboração de ótimos produtos. André Larentis e sua mãe Vera recepcionam o grupo para um tour no parreiral, nas dependências da cantina e no salão preparado para uma degustação especial, com os principais rótulos da casa. As avaliações dos vinhos, como esperado por mim, foi excelente, e as mais de três horas em que ficamos na vinícola foi elogiada por todos.



Ao fim da tarde nos direcionamos ao sítio do casal de amigos César e Maria Pretto, que junto com  o filho Rafael e a noiva Mariana, ofereceram ao grupo o costelão gaúcho. Sempre que recebo familiares e amigos aqui, eles nos convidam para uma confraternização, confirmando a hospitalidade do povo gaúcho. As fotos expressarão a alegria do momento.



SÁBADO  -  11/06


ESTRELAS DO BRASIL E VINHOS BETTÚ


O sábado foi excitante, pois visitamos dois produtores competentes e discutidos por fugirem aos padrões mercadológicos de vinificação. Irineo Dallagnol, proprietário da Estrelas do Brasil, elabora espumantes que podem durar uma década, assim como Vilmar Bettú foca em vinhos de guarda, havendo necessidade de se esperar anos para que possam ser degustados com prazer. Por vinificar em Caxias do Sul, Irineo recebe os enófilos em sua casa, em Faria Lemos, aonde chegamos no começo da tarde. Ele nos oferece uma degustação completa, tendo ao fundo uma das vistas mais belas da Serra Gaúcha, o Vale Aurora.


Sempre muito simpático, Irineo nos espera com pinhão assado em cima do fogão à lenha, com o DMD 2005 (vinho tinto encorpado) colocado no decanter na tarde anterior para aerar (é isto mesmo), e com uma sequência de espumantes que impressiona qualquer enófilo experiente. Safras de 2010 e 2007, branco, rosé e tinto de Merlot (espumante), deixam meus amigos ainda mais contentes com a qualidade dos produtos e competência dos produtores do Rio Grande do Sul. 



Ao fim da tarde chegamos à cantina de Vilmar Bettú, em Garibaldi. Como havia apresentado seus vinhos nas reuniões da confraria em Vitória, o grupo estava ansioso por conhecê-lo pessoalmente e degustar seus vinhos in loco, vivendo a energia do local. Bettú abre duas garrafas de espumante (um branco amadurecido e um rosé jovem) ainda com as leveduras na garrafa para brindar a visita do pessoal. 



Em seguida nos direcionamos à sala de degustação aonde provamos nove rótulos de brancos, rosé e tintos, de safras novas e amadurecidas, em mais um momento de descontração, bom papo e ótimos vinhos.



DOMINGO - 12/06


VALMARINO E MILANTINO


O enólogo e proprietário da Valmarino, Marcos Salton, nos recebe às 10h com a ciência de que o grupo conhecia e apreciava muito seus vinhos, inclusive com publicações e análises na Adega do Chamon de alguns dos membros. A Valmarino possui excelência em todos os seus produtos, desde os jovens aos encorpados e elaborados. Na cantina, de média estrutura física com tecnologia de ponta, a explicação feita por Marcos da história da família, da vinícola e do processo de produção da uva à vinificação impressionou o grupo, confirmando sua paixão pelo que faz.


No varejo Marcos oferece todos os vinhos da empresa à degustação, até os três TOPs, gentileza recompensada com uma expressiva compra, inclusive de double magnum Cabernet Franc.



Fechando com chave de ouro, após almoço no hotel nos dirigimos à vinícola Milantino, na parte de Garibaldi do Vale dos Vinhedos, sendo recebidos pelas simpáticas Marta Pasquali e Mayara Machado. Apesar de se disponibilizarem a levar o grupo para conhecer a cantina, a ansiedade para degustar os vinhos e espumantes fez com que o pessoal preferisse se dirigir diretamente à bela sala de degustação. A lareira acesa e duas mesas com taças nos esperavam para uma tarde que se estenderia até a noite. Mais um show de recepção, impressionando ainda mais o grupo.


“Os trabalhos” se iniciam com os brancos, depois uma vertical de Merlot, e demais tintos, finalizando nos espumantes, uma incrível variedade de castas e safras capaz de atender aos diversos paladares e tipicidades. Quem pensou que a última vinícola seria penalizada após a maratona de três 4 dias, enganou-se. A degustação e análises dos vinhos foi intensa, e apesar da quantidade, o grupo não dispensou nenhum rótulo; também pudera, é cada um melhor que o outro. Um luxo!!!



 

A despedida no hotel se deu com gosto de quero mais, e de minha parte, estarei à disposição para o retorno dos amigos e de todos que desejarem vir à Serra Gaúcha conhecer seus encantos. Com relação às vinícolas, podemos refazer várias vezes o roteiro sem repetir uma vinícola e manter a qualidade dos produtos e do atendimento.


Aos leitores da Adega do Chamon, espero que tenham gostado da nossa “viagem”.


Até nosso próximo encontro !!!