Tive a honra de receber em minha residência no Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves – RS, para uma massa ao frutos do mar, o enólogo Avelino Zanetti Filho. Natural de Bento Gonçalves, atualmente reside em Curitiba, aonde trabalha como consultor e instrutor de vinhos e espumantes, a partir do ICV – Instituto Cultural do Vinho. Em visita a familiares em sua terra natal, Avelino me procura dizendo que gostaria de me conhecer, pois acompanha a Adega do Chamon. Este fato é mais uma confirmação de que profissionais competentes valorizam o trabalho de todos, com o intuito de potencializar o mercado em que atua. O seu grande conhecimento sobre vinhos de todo o mundo, e claro, dos brasileiros, se iguala à sua simplicidade e simpatia. Juntos com minha mãe e outros amigos e amigas, degustamos ótimos rótulos brasileiros, além de termos tido a oportunidade de conversar sobre aspectos mercadológicos que envolvem a vitivinicultura brasileira. Mais um grande amigo o vinho me trouxe. Muito obrigado pela visita Avelino, e sempre que estiver por aqui, repita a gentileza, para mais um excelente bate papo.


A vinificação da cultivar Pinot Noir fora da Borgonha, França, comumente resulta em vinhos sem personalidade, magros, ligeiros, por se tratar de uma uva delicada, suscetível a doenças e pragas fora de sua região de origem. O Pinot Noir Almaúnica 2014, assim como todos os produtos desta vinícola, é isento de defeitos, elaborado com extrema competência, em uma cantina impecável, com uvas de vinhedos manejados com muito cuidado. De cor rubi escura, corpo médio e macio, tem aromas marcantes de frutas vermelhas e negras, com toques de tostado e baunilha do carvalho, mas sem dominar, mantendo sua complexidade. Na boca, untuosidade com taninos prontos e ótima acidez proporcionam um vinho potente, persistente e gastronômico, mas elegante e de fácil degustação (obs: acredito que haja um pequeno corte de outra cultivar tintória para aumentar a intensidade de cor).



Quem conhece os produtos da Milantino sabe que a maioria de seus vinhos e espumantes reflete o gosto de seu proprietário, Luís Milani: complexidade X qualidade X suavidade, que resultam em elegância, untuosidade e maciez. O Tannat 2005 da Milantino foge a esta regra; encorpado, taninos e acidez ainda vivos, forte presença e persistência em boca, aromas terciários de amadurecimento, é gastronômico, capaz de harmonizar com carnes de caça, temperos e molhos fortes. Em degustação com Luís Milani, ele prefere o Tannat 2006, macio, enquanto eu fiquei com este 2005.



O Chardonnay 2014 da Larentis tem leve acidez e aromas de frutas brancas maduras, tutti fruti, harmonioso e equilibrado. De cor amarelo esverdeado, é macio em boca, harmonizando perfeitamente com a massa ao frutos do mar que fiz naquela noite. E para finalizar com o mousse de morango feito por Fabiana Sberse e a torta de limão oferecida por Cibele Sartori, o Colheita Tardia Aurora 2015, da cultivar Malvasia Bianca, é excelente. Aromas de frutas brancas maduras e compotas, é equilibrado em acidez, açúcar residual e álcool, o que falta em muitos vinhos licorosos, às vezes enjoativos ou muito alcoólicos.