Não vejo nenhuma necessidade de referenciar vinhos e espumantes brasileiros a regiões ou rótulos internacionais de prestígio para ressaltar suas qualidades. Muito pelo contrário, pois questiono a opção de alguns produtores brasileiros que buscam imitar, principalmente, estilos chilenos e argentinos de vinhos muito alcoólicos, adocicados de fim de boca, baixa acidez e excesso de madeira.  Defendo que o Brasil deve valorizar sua característica de elaborar vinhos gastronômicos, com taninos e ácidos vivos, mas macios, com uvas sem excesso de maturação, voltados aos consumidores que desejam produtos com personalidade.


Porém, tratando - se do espumante Peterlongo Nature Elegance método tradicional, elaborado com as castas Chardonnay e Pinot Noir, sou obrigado a fazer uma referência que, ao meu ver, é bastante positiva. Trata - se de um espumante que possui todas as características de um excelente champanhe francês. Com o intuito de se fazer um produto macio e elegante, e por ser um nature, o que lhe permite menor acidez, o vinho base é elaborado com uvas de boa maturação tecnológica e fenólica, o que lhe confere maciez e suavidade. Após a segunda fermentação em garrafa, para a tomada de espuma, o vinho é mantido em contato com as leveduras autolisadas por 24 meses, e com o toque final do licor de expedição, segredo de cada enólogo, obtém - se um espumante com coloração amarelo - palha e perlage intensos. Aromas de manteiga (acredito da fermentação malolática), pão, amêndoas, nozes, caramelo e leve tostado. No paladar, untuoso, volumoso e persistente, com boa acidez, que lhe confere frescor, mas macio e elegante, suave. Ao contrário dos produtos leves e frescos, sua estrutura e complexidade tornam desnecessário o resfriamento excessivo, o que permite extrair-se toda a sua riqueza de aromas e sabores. Por isso entendo que este ótimo produto nacional se assemelha com louvor aos prestigiados champanhes franceses.


Apesar da elegância e suavidade, a acidez equilibrada condizente com os espumantes brasileiros, fez com que harmonizasse perfeitamente com a moqueca capixaba que fiz quando estive em Vitória.


É mais uma prova de que o novo proprietário desta histórica vinícola, Luís Carlos Sella, busca retomar o sucesso e a qualidade que a Peterlongo e seus produtos tinham na primeira metade do século XX, quando ainda pertencia ao seu fundador, Armando Peterlongo.


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