Fazer moqueca capixaba para os amigos gaúchos é sempre um prazer, pois se trata de um povo que valoriza a cultura. O carinho e o respeito pelo prato capixaba são muito grandes, o que torna estes momentos gratificantes para mim. Recentemente fizemos (eu e minha mãe) para os amigos e esposas da confraria I’Bei, 20 pessoas, 11kg de peixe, com 3 panelas de moqueca, uma de pirão e duas de arroz. A montagem dos pratos ocorreu durante o dia, ficando a cocção para o momento do encontro. A “exigência” dos cozinheiros para este trabalho era cozinhar com o acompanhamento de boas taças de vinho branco. Bem atendida pelos amigos.



Chegamos mais cedo ao salão de festa do prédio de Marcos Colletti para iniciar o cozimento, e aos poucos os confrades foram chegando. Assim como em todos os demais grupos para os quais fiz a moqueca capixaba (Embrapa, Rotary Clube, Moto Grupo Rota 470, e muitos outros amigos pela Serra Gaúcha), a curiosidade de saber como se faz o prato é bastante grande. Como sempre, os elogios ao prato foram muitos. Fico muito feliz em honrar a minha terra e minha cultura.



OS VINHOS


Ao contrário do que muitos pensam, a preocupação com a harmonização de uma comida e uma bebida não é frescura. É fundamental para que possa obter o máximo resultado que o prato e a bebida podem oferecer, como nos ensinam os sommeliers e sommeliéres. A boa relação entre peixes e frutos do mar com o vinho e espumante branco é real, sobretudo pela incompatibilidade do iodo existente em qualquer pescado com os taninos do vinho tinto, que resulta em sabor metálico na boca, como se estivéssemos mascando uma moeda. Especificamente com a moqueca capixaba, a acidez do prato, por conta do tomate e da cebola, torna os vinhos brancos ainda mais compatíveis, pela maior acidez e frescor.


Ao pensarmos em vinhos importados, entendo que a Sauvignon Blanc é a uva mais adequada, dada a sua elevada acidez e secura, com aromas de frutas cítricas in natura , ao contrário da Chardonay, mais aveludada e com odores de compotas de frutas, especialmente os Sul Americanos e Californianos (os de Chablis são conhecidos pela sua acidez e maior corpo). Entretanto, no Brasil, por conta do clima chuvoso e solos ácidos, a casta Chardonnay resulta em vinhos com mais acidez e aromas cítricos, o que os torna perfeitos para a moqueca. Nesta noite degustamos 4 Chardonnay e 1 Riesling Itálico, todos muito interessantes.


Ao final, os elogios dos amigos ao prato e aos vinhos coroaram mais uma maravilhosa noite na Serra Gaúcha.

 

Até nosso próximo encontro!!!