Permaneço calado ou rio quando leio ou ouço declarações de “experts”, de todas as categorias, de que o vinho brasileiro tem potencial de guarda de “no máximo 4 a 6 anos, estourando 7 anos”. Não há comentário mais incompetente, que demonstra total desconhecimento. De minha parte degusto vinhos nacionais de todas as idades, mas não perco a chance de apreciá-los com mais de uma década, ou até duas, e em sua maioria, estão excepcionais.

  

Abri, às cegas, este Merlot 2008 da vinícola Calza para um casal de amigos que se propôs a conhecer os produtos brasileiros, “superando o preconceito”, conforme me disseram. A qualidade e complexidade em aromas e sabores os surpreenderam desde o início, pois além da bela cor rubi intensa (com um alo claro que confirma sua idade), uma mescla de aromas de frutas negras e especiarias (pimenta do reino, cravo), congregavam com o sabor frutado e condimentado, com taninos elegantes, mas presentes, acidez equilibrada e grande persistência, harmonizando com perfeição com um penne ao molho de tomate e atum.

 

Assim como outros vinhos de guarda da vinícola Calza, e de outras tantas, este Merlot desqualifica qualquer opinião sobre a incapacidade de envelhecimento de nossos vinhos, os quais podem possuir IPT elevado e ácidos de grande qualidade, que garantem a sua guarda com perfeição, sem qualquer presença de oxidações que surgiriam de vinhos sem estrutura, com baixo extrato seco.