Com a minha ida para Bento Gonçalves para estudar Viticultura e Enologia, deixaram de acontecer os jantares semanais com amigos, em nossa casa, em Vitória – ES, nos quais degustávamos bons vinhos harmonizados com pratos diversos. Porém, sempre que estou em minha cidade natal, recebo a visita de alguns confrades, mantendo a nossa tradição. Além de vinhos portugueses e franceses, fizemos uma degustação de dois rótulos brasileiros da cultivar Merlot, safra 2006, de Vilmar Bettú e da vinícola Máximo Boschi, conhecidos por fazerem vinhos de guarda. As avaliações foram bastante positivas, mas diferentes, demonstrando a versatilidade desta casta e do tipo de vinificação. Seguindo sua tendência de elaborar vinhos com estilo europeu, o Merlot 2006 de Vilmar Bettú está intenso, com taninos e acidez presentes, aromas terciários do amadurecimento, e com pouca presença de carvalho. Acompanho o amadurecimento deste vinho há mais de 6 anos, e a evolução é impressionante. De um vinho com uma coloração rubi intensa, com aromas florais e frutados, apresenta-se (hoje) com uma coloração amena, mas mantém grande estrutura em boca, com ótima acidez e tanino,  e complexidade nos aromas de especiariais (alecrim e pimenta do reino) e cana de açúcar prensada para se retirar o caldo de cana - garapa. O Merlot Máximo Boschi possui característica de vinho do novo mundo, com boca macia, aveludada, um leve toque adocicado, taninos e acidez prontos, e aromas dominantes do carvalho, com bastante baunilha e coco, o que, no meu entender, resulta em um vinho de menor complexidade, mas muito bom. Ambos harmonizaram perfeitamente com um cozido de pescoço de perú com legumes, polenta e arroz. E para abrilhantar ainda mais a noite, tivemos a companhia de minha avó, legítima libanesa de 92 anos, que encanta a todos contando piadas impróprias para menores.