Publicado em 30/01/2017

Visitar a Luiz Argenta é uma experiência mais ampla do que apreciar seus excelentes vinhos, visto se tratar de uma estrutura pensada em cada detalhe de arquitetura e de tecnologia disponível para a vinificação. Situada em um elevado de Flores da Cunha – RS, pequena e bela cidade da Serra Gaúcha, ela nos impressiona em cada detalhe. A admiração começa na chegada, ao vermos o casarão histórico que abrigava a Cooperativa Vinícola Riograndense, os parreirais alinhados com perfeição  e o grande prédio da empresa.


O prédio principal é um conglomerado que abriga um amplo salão de recepção, degustação, exposição dos vinhos e administração na parte do superior. Nos pisos inferiores foi construída a vinícola (com o intuito de movimentar o mosto e o vinho por gravidade), o salão de armazenagem de barricas de carvalho e um restaurante temático com um cardápio excepcional. A vista do parreiral do alto da portaria principal é obrigatória, pois se percebe o cuidado no plantio e, sobretudo, no manejo das videiras, fundamental para a qualidade final da uva, do vinho e longevidade das plantas.



A CANTINA


A estrutura produtiva da Luiz Argenta é um exemplo de perfeita adaptação às exigências científicas modernas da enologia no que concerne à obtenção de vinhos e espumantes finos. A construção segue os padrões ideias da engenharia e da física, e as máquinas e equipamentos respondem aos conceitos técnicos mais avançados. O que me parece, como economista, é que a Luiz Argenta mostra ao mercado que uma empresa de maior porte é capaz de aliar grande volume de produção a qualidade exemplar, comum em vinícolas boutique/garagem, que por vinificarem quantidades pequenas, destinam o seu esforço somente a vinhos de excelência.


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A SALA DAS BARRICAS DE CARVALHO


Impressionante, pela beleza e pela técnica, assim resumo este ambiente, na qual música clássica ressoa constantemente em baixo volume, para se gerar tranquilidade para os vinhos em amadurecimento, favorecendo reações químicas lentas que permitirão a estabilização da cor e polimerização de compostos fenólicos, pela micro oxigenação permitida pela madeira. O repasse de compostos do carvalho finaliza o processo e dá maior complexidade. Uma grande mesa de degustação repousa sossegada compondo a decoração, mas não é usada, visto que a movimentação de pessoas que a utilizassem perturbaria os vinhos em seu descanso. Entre as barricas, algumas de clientes privados que contratam a empresa para a vinificação de produtos personalizados (a baixa luminosidade do local prejudica a qualidade das fotos).


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A DEGUSTAÇÃO


Após o tour pela vinícola retornamos à sala de recepção para provarmos alguns exemplares. Cada vinícola tem sua política de degustação, e a Luiz Argenta oferece 4 rótulos, quantidade pequena para os mais de 20 rótulos que compõem o seu portfólio. A empresa possui três linhas, divididas conforme a estrutura, corpo e capacidade de guarda: LA JOVEM, LA, e LUIZ ARGENTA. Apesar de ter degustado outros exemplares em outras ocasiões, nesta matéria colocarei somente os 4 rótulos degustados neste dia, mas a qualidade destes exemplos pode ser estendida aos demais.


O Brut e o vinho branco correspondem à linha LA JOVEM, leves e com frescor, acidez presente, mas macia, ideais para harmonizar com pratos de frutos do mar (entre elas a moqueca capixaba) e carne branca, em dias de verão. Límpidos e brilhantes, apresentam aromas de frutas verdes e cítricas (maça, maracujá, abacaxi), de coloração esverdeada clara, com média persistência. Um convite ao relaxamento em momentos descontraídos com a família e amigos.



O Cabernet Franc 2012 da linha LA é macio e elegante. De coloração rubi intenso, aromas delicados de frutas vermelhas e pretas, e leve toque de especiarias do carvalho francês, sem predominar, fundamental para o meu paladar. Taninos macios provenientes de uvas maduras e acidez equilibrada, um vinho saboroso e ideal para harmonizar com pratos menos temperados que não o agredirão. Um pouco de decanter ampliará a difusão de aromas.



Um vinho complexo em todos os sentidos, o Merlot 2011 da linha LUIZ ARGENTA demonstra desde o início o porquê de se enquadrar na linha TOP da vinícola. Sua estrutura e corpo médio a forte são provenientes de uvas de excelente qualidade e de uma vinificação que buscou extrair todos os componentes da fruta, finalizada com 12 meses de barrica de carvalho. Um vinho clássico, elegante, relativamente amadurecido, mas com capacidade de evoluir por ainda alguns anos, tornando-se mais complexo. De coloração rubi intensa, aromas de frutas negras se mesclam com especiarias, tostado e chocolate; no paladar, frutas e muita persistência de fundo de boca, com taninos e acidez presentes. Assim como todos os demais desta linha, um vinho surpreendente.



 

CLÔ RESTAURANTE


Finalizando a visita em alto estilo, almoçamos no restaurante da vinícola, aberto a turistas e moradores da cidade, é uma referência em Flores da Cunha. A culinária italiana é acompanhada pelos vinhos da vinícola e pela vista dos parreirais. A arquitetura do Clô Restaurante une beleza e simplicidade, um local agradável, que nos faz desejar prolongar o momento.



O principal roteiro vitivinícola da Serra Gaúcha é a região de Bento Gonçalves e cidades vizinhas, porém, a inclusão da cidade de Flores da Cunha e suas vinícolas em seu roteiro  certamente o surpreenderá. Junto com Luiz Argenta, Casa Venturini, Monte Reale, Valpiana, Salvador, são bonitas e elaboram vinhos e espumantes excepcionais. Confira!


Um brinde, e até nosso próximo encontro!!!