A visita à vinícola Urupema, antes Santo Emílio, impressiona pela beleza do lugar, de sua estrutura e da qualidade de seus vinhos. Situada no município de Urupema, na Serra Catarinense, a quase 1.400 m acima do mar, é responsável pela elaboração de fantásticos vinhos de altitude, com uma tipicidade única, que muito me agradam.


Estive nesta vinícola em março de 2017, e a recepção da proprietária Elizabeth Binotto Bazzo e sua filha é simples e alegre, sem formalidades ou textos decorados sobre os vinhos ou a produção, o que nos deixa a vontade para degustar e apreciar a linda vista da casa principal.


Provei os diversos vinhos da vinícola, todos muito bons, mas ao degustar o Leopoldo, um corte 2010 de Cabernet Sauvignon e Merlot, percebi que estava à frente de um vinho espetacular, complexo e estruturado, com as características que se espera de um exemplar de altitude. Disse à Elizabeth que levaria algumas garrafas do Leopoldo, mas ela me pediu desculpas e disse que não tinha estoques dele na casa principal. Antes de eu ir embora, Elizabeth se lembrou que havia uma garrafa em sua adega particular, climatizada, e que se eu não me importasse, poderia levá-la. Degustei-o no sítio dos amigos César e Maria Pretto, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves – RS.


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Estrutura e potência, complexidade e sabor, unidos em um vinho enigmático, que se espera não acabe, para que o prazer de degustá-lo se mantenha por mais tempo. Coloração vermelha rubi intensa, aromas de frutas negras maduras, pimenta do reino, especiarias secas, café, e na boca, grande intensidade de taninos e ácidos, persistente e saboroso, gastronômico, capaz de ampliar ainda mais o sabor de uma costela gaúcha no espeto, outra iguaria da noite. Foi um misto de alegria e decepção, ao degustar um vinho tão bom, mas de não ter outras garrafas em casa.


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