A capixaba Cláudia Müller apresenta as análises dos vinhos degustados pelos membros da Confraria Clube dos Cinco. Importante se perceber que não se trata de uma comparação entre os vinhos, e muito menos entre nacionais e importados, mas se avaliar todos os vinhos em sua essência. Mesmo por que, os exemplares nacionais fazem parte da realidade desta confraria, que há muito reconhece a qualidade destes produtos.


Faço um breve comentário das vinícolas apresentadas nesta matéria. A Barcarola elabora vinhos sem contato com madeira (alternativos ou barrica), privilegiando a tipicidade das uvas nos aromas e sabores. Em seus parreirais no Vale Aurora, em Bento Gonçalves, o enólogo César Petroli cultiva variedades francesas e italianas, sendo (acredito eu) o único produtor a produzir a Lagrein no Brasil, proveniente do Norte da Itália, de onde César trouxe as mudas quando lá cursou enologia. Elegante e macia, resulta em vinhos de boa complexidade, de corpo médio e gastronômico, com boa acidez. Em oposição, Sandro Valduga, proprietário e enólogo da Terragnolo, é conhecido por buscar uvas com alto grau de concentração fenólica e ácidos, com o intuito de se obter vinhos de guarda, que suportam anos de maturação em barricas de carvalho, e décadas de envelhecimento em garrafa.


Com estas características, e por serem os Barolo vinhos reconhecidamente de corpo forte, entendo que a sequência do serviço dos vinhos foi correta, assim como as avaliações tecnicamente precisas, sobretudo por entenderem que todos necessitariam de mais tempo na garrafa para atingir maturação ideal de polimerização de taninos e esterificação de ácidos.


“Sentimos que os 3 estão ainda meio "verdes", ou seja, vão melhorar ainda mais com o tempo.


                           


Lagrein Barcarola 2015, acidez e taninos médios e macios. Vinho elegante, gastronômico, fácil de harmonizar. No aroma, frutas negras, amêndoas e um herbáceo. Cor rubi intenso. Este vinho me surpreendeu, pois eu o havia degustado em visita a vinícola, e na minha lembrança e anotações era leve, mas ao tomá -lo ontem, não achei tão leve assim. É até bem marcante e persistente.


Barolo Eugênio Bocchino 2010, nos aromas mostra-se com couro, defumado, vaso de barro, chá preto, cravo. Cor tijolo. Taninos e Acidez marcantes. Persistente.


Marselan Boulder Terragnolo 2012. Aroma: defumado, couro, frutas negras, herbáceo, talco. Taninos marcantes. Uma pancada no início, mas depois suaviza. Na boca herbáceo com um fundo aveludado. Acidez média. Cor rubi intenso. Tem mais informação no olfato que na boca.


O Barolo e o Maselan foram decantados por cerca de 1h na 1° etapa, 1° taça  e depois mais 1h na 2° etapa, 2° taça. Abriram muito, suavizaram, mas continuaram com as mesmas características dos aromas”.