A Lei N°7.678, de 8 de novembro de 1998, constitui-se no primeiro arcabouço legal a definir as características das bebidas derivadas da uva, sendo obrigatório que o vinho de mesa (comum ou fino) tenha teor alcoólico de 8,6% a 14%, sendo os produtos que excederem este limite classificados como suave, meio seco ou licoroso, dependendo do teor de açúcar residual (que para os vinhos finos secos é limitado a 4 g/L).


Para atender a realidade das uvas produzidas nas regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste, a partir do advento da dupla poda, que possibilita a produção de uvas Vitis viníferas colhidas no inverno, seco e ensolarado, com grande maturação tecnológica (alto teor de açúcar) e capazes de gerar vinhos com graduação alcoólica superiores a 14%, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, institui a Portaria Nº 43 , de 18 de maio de 2016, que em seu artigo 36 (e incisos) especifica que estes vinhos podem ser  finos,  mesmo com graduação alcoólica entre 14,1° a 15°. Esta lei atende a requisitos técnicos para o enquadramento de exemplares como o Syrah Primeira Estrada, o Intrépido Syrah, o Cabernet Sauvignon Tabocas (que teve o Brix de 2016 medido em 27°), o Syrah Testardi, e o Guaspary Syrah.


O grande desafio que se coloca com relação às características dos vinhos elaborados nestas regiões, na minha opinião, é a dificuldade de se manter a acidez das uvas, por conta da pequena amplitude térmica, com noites quentes. O Syrah / Vista da Serra 2013, da vinícola Guaspari, de Espírito Santo do Pinhal – SP, um exemplar do qual muito se tem falado, caro, mas muito bem vinificado, desagradou-me muito, pois quem acompanha minhas publicações sabe que não sou adepto a vinhos com maciez excessiva, aromas intensos de frutas negras em compotas, boca volumosa (acredito ser de polissacarídeos polimerizados), taninos muito leves e acidez praticamente nula, o que torna o seu fundo de boca doce e enjoativo. Por uma feliz coincidência, degustei-o com castanha, damascos, passas e ameixas, não havendo incompatibilidade entre o tira gosto e o vinho.


Os enófilos que apreciam vinhos chilenos como o Stela Áurea, Casa Silva Gran Reserva, entre outros, se impressionarão com a semelhança deste exemplar nacional.


Obs: a maioria destes exemplares são elaborados com a variedade Syrah (ou Shiraz), por se tratar de uma uva que melhor se adapta a climas quentes e secos, por vezes submetidas a estresses hídricos que prejudicaria o ciclo das demais castas.