Ouço de algumas pessoas que o vinho é refinado e luxuoso, com formalidades e frescuras, por isso preferem a cerveja, simples e descontraída com amigos. Nada contra as declarações sobre a cerveja, mas com relação ao do vinho, afirmo que esta caracterização é equivocada. É fato que em muitas ocasiões o vinho está em lugares luxuosos (assim como a cerveja), mas somente se degusta verdadeiramente um vinho com amigos, independente do lugar e da classe social.


A minha vida na Serra Gaúcha, como enófilo e estudante de enologia, é recheada destes momentos simples e sem frescura, de pessoas maravilhosas, que convidam a mim e à minha mãe às suas casas e cantinas, para celebrar a vida com vinho, comida e muita alegria. Um destes momentos ocorreu na pequena vinícola da Famíglia Barbieri, em Monte Belo do Sul, junto com os amigos da Confraria I’bei.  Ao invés de uma degustação técnica, o momento foi de confraternização com a família.


Os anfitriões, senhor Giovanni Battista Barbieri, a senhora Luci Anita Simonetto Barbieri, e o filho Fabiano Barbieri, receberam o grupo na pequena cantina, ao lado da residência. Fabiano, responsável pela vinificação, explicou-me que aos poucos ampliará a capacidade e a tecnologia, com o intuito de se produzir vinhos mais encorpados, complexos. Prosecco, Malvasia de Candia, Chardonay, Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon, entre outras cultivares, são utilizadas na produção de vinhos de corpo leve, mas agradáveis, para momentos de descontração, confirmando a sinergia existente entre o vinho fino e momentos informais de pura diversão. Para coroar a noite, Flávio Barbieri, primo de Fabiano, leva o grupo ao porão da casa de seu pai, e nos mostra os antigos equipamentos utilizados pelos seus bisavós e avós para a produção do vinho artesanal. Aprender a história de uma família a partir do vinho é uma experiência muito bacana, pois vemos como o amor pelo vinho faz parte da cultura do povo da Serra Gaúcha, mesmo com pouquíssimas tecnologias para se garantir qualidades maiores. No fim, sem percebermos, o relógio dava meia noite, e mais de cinco horas passaram entre uma taça e uma conversa.


O meu equívoco foi não ter tirado fotos do local durante o dia, por isto, nesta matéria, não tenho fotos externas, mas em breve as terei, pois a propriedade da Famiglia Barbieri é linda. E se você quiser comprar os vinhos, ao chegar em Monte Belo do Sul, pergunte e todos o guiarão com facilidade até a residência.