Santa Bárbara, distrito de Monte Belo do Sul – RS, é um vilarejo que relembra o início da colonização italiana na Serra Gaúcha. No feriado de 07 de setembro, tive o prazer de fazer um carneiro à moda árabe na residência da senhora Gema Cini, para um grupo de amigos e amigas, harmonizado com vinhos tintos e espumantes do Brasil, Portugal e Itália.



Dada a minha ascendência libanesa de pai e mãe, é claro que adoro a cozinha árabe. A preparação do cordeiro começou no domingo à noite, quando 7 kg de carne foram cortados em pequenos cubos e temperados com sal, alho, hortelã, pimenta síria, zaatar e azeite. Retirados do congelador na terça à noite, foram mergulhados na coalhada feita pela dona Boneca, e marinados na geladeira até o momento da cocção. Ao fim do cozimento, adiciona-se o grão de bico previamente preparado, e se come com arroz e salada. Um prato leve e saboroso, que se encaixa com vinho tinto, e até com rosés, brancos e espumantes mais encorpados.


Cubos de carne marinando na coalhada com azeite.


O frio de 8° combinava com a expressão bucólica do lugar, e enquanto eu cozinhava, degustávamos espumantes e vinhos, ao som da gaita (sanfona) do amigo e músico Juliano Navarini, do famoso grupo de música italiana Ragazzi Dei Monti.  



SERRA GAÚCHA E MEIO OESTE CATARINENSE REPRESENTADOS POR EXCELENTES VINHOS


O corte de Merlot, Teroldego e Montepulciano, da vinícola Panceri, da cidade de Tangará – SC, elaborado para comemorar os 25 anos da empresa, apesar de ainda jovem, estava excelente, mas com grande potencial de amadurecimento. Equilibrado e complexo, aromas de frutas negras, taninos e acidez macios, confirmando a qualidade das uvas de sua vinificação. Tive a oportunidade de degustar outros vinhos desta cantina, e atesto o avanço do vinho fino em outras regiões de Santa Catarina, além da tradicional Região da Serra, que tem como referencial o município de São Joaquim. Saiba mais aqui.



Os amigos Ivan Cini e Ronaldo Turri, anfitriões do almoço, fizeram suas avaliações sobre os vinhos degustados, sendo excelentes referências para todos nós. Cini assim descreve este vinho: “edição comemorativa aos 25 anos da vinícola Panceri, do meio oeste catarinense, na cidade de Tangará. Belo blend de Merlot, Teroldego e Montepulciano. Jovem ainda, mas já com diversos atributos. Cor rubi violáceo brilhante, aromas de frutas vermelhas com notas de especiarias secas (pimenta), baunilha e leve herbáceo. De corpo médio a encorpado, taninos jovens e presentes, ótima acidez, final de boca persistente com um toque picante.


Para Turri: “Panceri, catarinense, de um terroir bastante interessante, de elevada amplitude térmica, com grande potencial de amadurecimento na garrafa. Aroma de frutas não tão maduras, equilibrado, com taninos e acidez potentes, mas macios”.



Ressalto em minhas matérias que não me surpreendo ao me deparar com excepcionais vinhos brasileiros amadurecidos. O Vitral 2005, da vinícola Gheller, é mais uma nova experiência que confirma a capacidade de evolução do vinho do Brasil. Este corte de 50% de Cabernet Sauvignon, 30% de Merlot e 20% de Carmenere, com 13% de álcool, é um daqueles vinhos que deveriam ser colocados às cegas junto com vinhos de qualidade importados, para ouvirmos as avaliações. Equilíbrio e complexidade que se esperam de um vinho amadurecido, ainda guardava aromas de frutas negras, mas o que prevaleciam eram os terciários de frutas secas e especiarias. Paladar potente, com taninos e acidez ainda vivos, mas macios, aveludados. Um vinho para se meditar.



Para Cini: “espetáculo este blend da Gheller. Apesar dos anos, cor rubi intensa, aromas de frutas negras maduras e passas, café, chocolate amargo, leve tostado e um toque de balsâmico. De corpo denso, elegante, taninos maduros, acidez equilibrada, e no final, um toque picante e boa persistência”.


Turri: de uma cidade pouco conhecida da Serra Gaúcha, demonstrando a diversidade produtiva do estado, o Vitral é bem estruturado, frutas maduras, integradas com um toque de madeira e de aromas terciários do amadurecimento. Vivacidade na cor, taninos macios e boa persistência. Uma ótima surpresa”.


Agradeço à família Cini e todos os demais amigos por sempre me acolherem com muita alegria e carinho, e se Deus quiser, muitos outros momentos como este resultarão em boas matérias para a Adega do Chamon.


Até nosso próximo encontro!!!