Para finalizar com chave de ouro mais um semestre da graduação de Viticultura e Enologia no IFRS – Bento Gonçalves, há quase duas semanas os estudos não me deixaram fazer novas matérias para a Adega do Chamon. Retomo esta prazeirosa atividade mostrando a última reunião da Confraria I’ bei, na qual degustamos vinhos da variedade Cabernet Franc. Equivocadamente desprestigiada ao ser comparada à outras uvas, em especial ao Cabernet Sauvignon, a Cabernet Franc oferece aos amantes do vinho qualidades sensoriais incríveis, em aromas e sabores. Ao contrário de cultivares mais encorpadas, com taninos e acidez muito presentes, a Franc possui aromas frutados e boca macia, elegante, capaz de harmonizar com pratos distintos, desde frutos do mar com temperos mais fortes, a carnes brancas e vermelhas mais leves, ressaltando o paladar do alimento, os quais seriam prejudicados por vinhos com corpo excessivo. Estas possibilidades foram comprovadas em nossa degustação, comandada pelo confrade Ronaldo Turri. A grande decepção, na minha opinião, foi o exemplar francês do Vale do Loire, sem expressão e corpo, bem ao estilo noveaux. Os latino americanos surpreenderam em qualidade e diversidade, complexos, tornando os debates entre os confrades interessantes. Os dois rótulos da Valmarino, o Século XVIII e o Churchil, que se diferenciam pelo tempo em carvalho, são ótimas opções para quem deseja vinhos encorpados e aromáticos. O Raízes da Valduga me surpreendeu, pois havia tempo que não o degustava, e fiquei impressionado com a mescla de suavidade e complexidade (uvas da campanha gaúcha). Os exemplares do Uruguai e da Patagônia Argentina estavam excelentes, dois clássicos desta variedade. E todos os demais brasileiros premiaram a noite com suas ótimas qualidades: Pequenas Partilhas (Aurora); Do Lugar (Dal Pizzol); Luiz Argenta Reserva (Flores da Cunha); Casa Fantin (Monte Belo do Sul). Acompanharam de maneira competente um cardápio maravilhoso, feito pelo casal Turri, que será bem entendido pelas fotos.