Publicado em 31/08/2017

Incontáveis eventos participei nas últimas décadas envolvendo vinhos e espumantes, técnicos e festivos, mas poucos foram tão alegres e interessantes quanto ter sido o condutor da degustação da confraria AMAVI – Associação das Amigas do Vinho de Bento Gonçalves, em sua reunião de 17 de agosto de 2017.


Ao receber o convite da presidente Sônia Maria Lazzari, além da honra, sabia da grande responsabilidade que assumia, pois sei a importância que as confreiras dão aos seus encontros, os quais representam momentos de confraternização e amizade, mas de aprofundamento no entendimento do vinho e do espumante, com informações e conhecimentos a serem repassados por quem coordenará a degustação.


O evento ocorreu no restaurante My Way, de responsabilidade do Chef Crippa, um lugar encantador, com pratos excepcionais, no distrito de Barracão, em Bento Gonçalves.


   

MAIORIA DOS RÓTULOS DEGUSTADOS


A mulher e o vinho


Lembro-me que em meados da década de 1990, quando participava das palestras organizadas pela SOAVES – Sociedade dos Amigos do Vinho do ES, degustações ou feiras, uma ou outra enófila se fazia presente, com total predomínio masculino. Atualmente, uma completa revolução se apresenta ao mundo do vinho, tornando-o mais democrático, alegre e competente em termos de avaliações, com as mulheres dividindo, na mesma proporção, os espaços vitivinícolas, como enólogas e enófilas. Detalhistas e observadoras, comumente dão maior importância ao entendimento do que se degusta, do que à ação de se beber.


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Outra questão sobre o universo feminino no mundo do vinho que deve ser reavaliada, são pré definições sobre o paladar e a preferência (ou a aversão) das mulheres por determinadas cultivares e produtos, como preferirem espumantes a vinhos, suaves a secos, leves a encorpados, entre outras. Claro que há predileções, mas entendo que, no geral, as mulheres/enófilas gostam das diversas cultivares, e da diversidade dos vinhos e espumantes de boa qualidade.


A degustação


Por gostar da degustação às cegas, que suprime preconceitos e nos leva a uma discussão mais profunda sobre os produtos, propus à presidente Sônia este formato, no qual eu revelaria o (s) país, safra e uva ao final. A proposta foi recebida com satisfação pelo grupo. Selecionei 10 (dez) vinhos de vinícolas distintas, diversificando ao máximo a degustação. O serviço de 40 mL de cada um dos vinhos, ao longo do evento, garantiria que o volume bebido pelas confreiras não excedesse ao limite exigido para uma degustação sensata, de pouco mais de meia garrafa, sendo a degustação acompanhada de pratos diversos desde o começo, pois para mim, o vinho é uma bebida gastronômica, que deve vir acompanhado de refeição (à exceção de degustações técnicas).


Servidos conforme a sequência que entendi ser a mais condizente para respeitar as características dos vinhos e a apreciação dos degustadores (potência/estrutura, idade, pratos), todos foram avaliados pelas confreiras com muito entusiasmo. Mesmo aproveitando o momento festivo com as amigas, o grupo se mostrou atento às características analisadas, com grande respeito aos produtos e, consequentemente, aos respectivos produtores. Cada exemplar era analisado com cuidado, conforme suas características e o paladar individual. Independente da apreciação pessoal, as confreiras demonstraram o entendimento de que os vinhos ali degustados eram de excelente qualidade de elaboração, devendo ser entendidos em sua essência e tipicidade.


Após o último vinho, havia uma ansiedade bacana por receberem as informações sobre os exemplares, sendo uma surpresa positiva quando souberam se tratar de exemplares da variedade Cabernet Sauvignon, de 10 vinícolas brasileiras. Em seguida, novas avaliações, espantos e admirações quando apresentei, individualmente, cada rótulo conforme a sequência de serviço.


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Ao final, minha satisfação era grande por verificar que as confreiras estavam satisfeitas com o trabalho, e, sobretudo, com os vinhos degustados. Acredito ter cumprido com a minha obrigação com a AMAVI – Bento Gonçalves, e com os produtores/enólogos que elaboraram estes vinhos; assim como, com a Cabernet Sauvignon, comumente questionada sobre o seu potencial de produzir bons vinhos no Brasil. Quanto a isso, deixo clara a minha opinião de que, apesar de ser uma uva de ciclo longo e maturar em períodos, em geral, chuvosos e frios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, quando se consegue uma boa maturação, seus vinhos são excelentes, complexos e estruturados, com capacidade de guarda e gastronômicos, assim como todos os exemplares servidos nesta degustação.


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Agradeço à presidente Sônia Lazzari e a todas as confreiras da AMAVI Bento Gonçalves pelo carinho e consideração, e ao Chef Crippa pela recepção.



Até nosso próximo encontro!!!