Publicado em 22 de abril de 2016

Antes de abordar a vinícola Cave Antiga, apresento o seu proprietário e enólogo João Carlos Taffarel, também profissional técnico da Embrapa Uva e Vinho – Bento Gonçalves. Eu o conheci, assim como a diversos especialistas do segmento vitivinícola, nos jantares semanais do Clube do Bolinha, na Embrapa, ao ser convidado pelo enólogo e proprietário da vinícola Estrelas do Brasil, Irineo Dall’ Agnol, para me juntar ao grupo.


Logo percebi que Taffarel possui três características marcantes. É enólogo com uma incrível capacidade técnica para analisar um vinho; uma pessoa simples, alegre e simpática, e um líder, respeitado pelos amigos e técnicos.


Com o intuito de agregar conhecimento e ideias novas aos seus produtos, Taffarel convidou o jovem Christian Ferrari Ambrosi para ser o enólogo responsável da Cave Antiga. Sua competência pode ser confirmada pela qualidade dos produtos da empresa. Foto: Taffarel em degustação com a Confraria de Bento Gonçalves, na Embrapa Uva e Vinho

 

 

Vista frontal do prédio que se extende por dezenas de metros para a esquerda

A CANTINA CAVE ANTIGA –  Vinho e Patrimônio Histórico


O amor pelo vinho e pela sua terra fizeram com que Taffarel aliasse a produção vinícola à restauração de um antigo e lindo prédio histórico, um projeto realizado aos poucos, dado o elevado volume de investimento para recuperar a grande estrutura. Por este motivo a cantina ainda não está aberta à visitação, o que não demorará a acontecerá, espero eu, para a alegria dos amantes do enoturismo.


A cantina impressiona pelo tamanho e estrutura da construção, característica dos casarões de época, comuns na Serra Gaúcha. Amplos salões que abrigam os tanques de aço inox e barris de carvalho, e demais equipamentos para a produção do vinho, assim como o seu armazenamento. Alguns pavimentos em reforma não registrei, mas as que apresento dão uma ideia do lugar. Foto: Vista frontal do prédio que se estende por dezenas de metros para a esquerda

 



OS VINHOS CAVE ANTIGA


Diversidade de rótulos e pequena para se produzir vinhos com excelência e tipicidade de cada variedade. Assim eu descreveria os vinhos e espumantes da Cave Antiga. A intenção de Taffarel é oferecer produtos tecnicamente perfeitos, mesmo que comercialmente não seja o mais indicado. Como analista e avaliador de vinhos nacionais e importados, naturalmente ele será bastante exigente com o seu próprio produto.

Corpo leve, aromas cítricos, frescor e acidez equilibrada, são, para mim, as características dos seus espumantes. Costumamos degustá-los também nos jantares do Clube do Bolinha, e o Brut Branco e Rosé são esperados com ansiedades pelos presentes. Lembro de uma ocasião que levei um primo de Vitória a um destes jantares, e lhe servi uma taça do Brut Rosé. Acostumado às nossas limitadas cervejas pilsen comerciais, ele se impressionou com o espumante. Neste dia, a degustação foi harmonizada com um bacalhau preparado pelo próprio Taffarel. Combinação perfeita. Foto: Noite de jantar na Embrapa – Uva e Vinho, Bento Gonçalves.




Degustei o Chardonnay Cave Antiga 2012 com uma paella feita pelo Chef Paulo Mosna. Apesar de amadurecido para um branco, o vinho estava maravilhoso, com bom frescor e acidez presente, garantindo sua longevidade e capacidade de harmonização com um prato que exige um vinho competente. Coloração amarelo palha, aromas de compotas de frutas cítricas, um pouco adocicado pela idade e boa persistência de final de boca. Mais um ótimo Chardonnay brasileiro.





Analisar a seleção de vinhos tintos da Cave Antiga não é fácil. Variedade e diversidade de características, o que possibilita aos amantes do vinho um exemplar por ocasião.


Os varietais Sangiovese e Merlot respeitam a tipicidade das uvas. A cultivar italiana resulta em vinhos de corpo leve a médio, com ótima acidez e taninos macios, gastronômicos e de fácil degustação. De cor rubi clara e aroma de frutas vermelhas maduras, com rápida passagem por carvalho, o Cave Antiga Sangiovese é um vinho que lembra os Chianti Clássico leves. É uma ótima opção para quem deseja um vinho agradável, bem feito, leve de se beber.



O Merlot 2013 é típico da região. Com uma coloração mais escura, acredito que proveniente de uma pequena quantidade de outra uva tintória colocada para este fim (permitido por lei), é um vinho de corpo médio, aroma frutado, taninos e acidez redondos, e ótima persistência e sabor de fim de boca. Lembro que o degustei na casa dos amigos Beto e Fabiana Esberse, com os convidados Cesar e Maria Pretto, Vilmar Bettú e Fernanda Alves, e a avaliação de todos sobre a excelente qualidade do vinho foi unânime.


 



A francesa Marselan foi discutida em diversas matérias na Adega do Chamon, sempre com ótimas avaliações para esta cultivar que se adaptou muito bem à Serra Gaúcha. Vinhos de corpo média a forte, aromáticos de frutas vermelhas e negras e ótima adaptação ao carvalho (quando usado). O Marselan 2007 é uma raridade da Cave Antiga reverenciada desde o lançamento. Suntuoso na boca, tem todas as qualidades que um grande vinho deve oferecer após anos de amadurecimento. Complexo, apresenta aromas primários (do fruto), secundários  (da vinificação) e terciários (do amadurecimento), é um vinho delicado, mas com excelente corpo, com taninos e acidez ainda presentes, harmoniza bem com pratos temperados, mas que permitam com que o vinho expresse o seu potencial. Minha última garrafa foi degustada no sítio do amigo Pretto, local perfeito para analisar este vinho.




A linha Gran Reserva contradiz ainda mais os que dizem que os vinhos brasileiros não são de guarda. O Marselan Gran Reserva 2007 e o Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2005 são esplêndidos, em tudo que se pode esperar de um vinho que recebe esta famosa denominação. Especiais no sabor, aroma, cor e capacidade de harmonização, complementados pela complexidade dos vinhos amadurecidos. 




A linha Venerabile, com vinhos mais jovens, mostra a capacidade de inovação dos enólogos da Cave Antiga. O último que degustei foi o corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, o Venerabile Livella, um vinho surpreendente, complexo. Cabernet Sauvignon e Tannat dando o corpo e potência que um vinho de guarda deve conter, e Merlot, a suavidade e elegância para arredondá-lo, buscando o equilíbrio que os cortes podem proporcionar.

O Cabernet Sauvignon Il Vino Venerabile é fiel à sua cultivar. Corpo forte, cor escura, aromas de frutas negras maduras, café torrado, pimenta do reino e chocolate após aeração, por conta da passagem por carvalhos americanos, taninos e acidez que se sobressaem na boca, mas maduros pelo amadurecimento. Ótimo para harmonizar com carnes de caça, massas e entradas com temperos marcantes.

Elegância e leveza resumem o Venerabile Prumo. A Merlot amacia o Cabernet Sauvignon, gerando um vinho aveludado, para ocasiões descontraídas, em que o vinho aceita ser um acompanhante de luxo, e não precisa dominar a situação. Aromático e com boca suave, harmonizará com entradas e pratos leves, completando o ambiente.



Ao pensarmos que Taffarel e Christian não podem mais nos surpreender, eles nos oferecem o Iridium. O nome de um elemento químico raro para designar o vinho TOP da vinícola, um corte de Merlot, Tannat e Marselan, que deve entrar no rol dos grandes vinhos nacionais, à disposição de quem busca um produto excepcional. Precisa ser degustado de maneira especial, sendo o centro das atenções. Defendo aeração para a liberação dos aromas e sabores. Apesar de ser 2009, tem grande potencial de guarda. Tenho namorado a minha garrafa, perguntando-me quando a degustarei. 



Até nosso próximo encontro !!!