Data Degustação: 17/02/2018

A degustação deste Barbera Piemonte do amigo Vilmar Bettú foi importante não somente por se beber um grande vinho, característica de sua vinificação, mas ao entender sua estrutura e tipicidade, tive a possibilidade de avaliar os vinhos Barbera Piemonte 2017 e 2018 elaborados para os meus projetos de vinificação em grupo, com uvas do mesmo parreiral em Encruzilhada do Sul.


Ao degustar o exemplar 2016 busquei entender a forma como Bettú conduziu sua vinificação, podendo comparar aos nossos, sobretudo o 2017. Como esperado, Bettú respeitou as características da Barbera, mantendo sua maior acidez, equilibrada por taninos macios e intensidade mediana de cor. Comumente os vinhos desta cultivar são adaptados para serem macios e prontos, reduzindo-se a acidez (quimicamente) e ampliando a intensidade de cor com a adição de vinhos provenientes de cultivares tintórias, como Alicando Bouschet, Ancellotta ou Petit Verdot.


Por conhecer o trabalho de Bettú, tinha ciência de que este Barbera Piemonte 2016 não estava pronto, havendo necessidade de deixá – lo envelhecer na garrafa por mais anos, para amaciamento de ácidos e taninos, tornando – se um vinho complexo e elegante.  Entretanto, dado o meu objetivo técnico, fui obrigado a degustá – lo antes, sendo necessária a compreensão de sua jovialidade.


Apesar do ataque vivo em boca, o vinho estava excepcional, e fiquei satisfeito por perceber as mesmas características em nossos Barbera 2017 e 2018. Tenho orgulho em dizer que elaboramos um vinho à altura do amigo e vinhateiro Vilmar Bettú, e assim como este 2016 (aberto antes da hora), nossos vinhos também precisarão envelhecer nas garrafas por alguns anos para que possam dar o prazer ao degustador para o qual ele foi elaborado.