Os jantares no sítio de César e Maria Pretto sempre unem bons amigos, farta comida e excelentes vinhos e espumantes. Um dos exemplares desta noite foi o corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, com uvas das safras de 1999 a 2002. Mais uma vez alguns mitos do mundo do vinho são quebrados, como: vinho brasileiro não tem capacidade de guarda, e vinho bom, encorpado tem que ter elevada graduação de álcool.


Apesar dos seus 15 anos de idade e graduação alcoólica de 11,5%, o exemplar estava exuberante, em todos os sentidos. Primeiro quesito a se avaliar em um vinho com esta idade é sua sanidade, que estava intacta, sem traços de acidez volátil perceptível ou reduções negativas, o que confirma que os taninos e ácidos foram suficientes para proteger o vinho e gerar complexidade em aromas e sabores, com a polimerização destes compostos. O amadurecimento dos taninos torna-os macios e libera compostos aromáticos, deixando o vinho redondo e saboroso. A presença de ácidos equilibrados e saborosos confirmou a sanidade do vinho e o manteve refrescante e gastronômico.


Bela coloração rubi atijolado, com aromas de caramelo, frutas secas, e leve toque de pimenta do reino. O paladar um néctar de frutas vermelhas e boa acidez, harmonizou perfeitamente com massas e carne de gado. Há muito sou entusiasta de vinhos amadurecidos, e a satisfação de degustar vinhos brasileiros vinificados com competência desde a década de 1990 é muito grande. Muitos virão.