A junção da cultivar italiana Ancellotta, com elevada concentração de polifenóis (antocianas e taninos), que lhe conferem coloração violácea intensa e bastante potência tânica, com o estilo de vinificação da Larentis, reconhecida por elaborar vinhos de guarda, sobretudo com longo períodos de maceração dos seus tintos, que extrai ao máximo estes compostos presentes na película, só poderia resultar em um vinho bastante encorpado, que apesar de 05 anos de vida, está em sua infância, o que exigiria mais uns bons anos em garrafa para maior polimerização de taninos, o que os torna macios (pois perdem a sua capacidade de se ligar às proteínas da saliva), e esterificação dos ácidos, dando complexidade, aromas e maciez.


O uso da cultivar Ancellotta para vinhos varietais não é comum, pois poucos produtores se arriscam a produzir um vinho com esta tipicidade, preferindo uvas mais macias, que resultam em vinhos a serem degustados jovens. Esta é uma característica de muitos produtores brasileiros, os quais diversificam sua produção com cultivares potentes em taninos e ácidos, como a Ancellotta, Teroldego, Alicante Bouschet e Egiodola, em geral usadas como cortes em pequenas quantidades para aumentar a intensidade de cor e de potência de vinhos leves.


                           


Juntando-se as características da Ancellotta e da vinificação da Larentis, duas questões devem ser levadas em consideração ao se abrir o Ancellotta Larentis 2012: i) o vinho é muito jovem, o que exigiria envelhecimento por mais anos para sua melhor maturação; ii) uma vez aberto jovem (como foi o caso), defendo a decantação por algumas horas antes da degustação, para que a super oxigenação possibilite reações químicas que ampliam aromas e sabores. Admito que não respeitei os dois quesitos, sendo minha obrigação entender que o vinho não estaria apto a me oferecer tudo para o qual foi produzido.


Apesar de minha incompetência no serviço, o vinho se mostrou exemplar, com a tipicidade que se espera de um Ancellotta. Coloração violácea intensa, como se recém elaborado, aromas de frutas negras maduras e toque de madeira (tostado, baunilha, café), que não domina, fundamental para mim (não me agradam vinhos com excesso de madeira). No paladar taninos extremamente potentes e acidez viva, confirmando sua jovialidade, que exige harmonização com alimentos fortes, como carnes e massas temperadas. Não indico sua degustação sem o acompanhamento alimentar, ou com pratos leves, pois a potência do vinho ficará muito evidente. Em resumo, trata-se de uma uva e de um vinho destinados a enófilos que apreciam vinhos de guarda.