A casta italiana Ancellotta, proveniente de Reggio nell'Emilia, e muito bem adaptada ao sul do Brasil, foi degustada pelo enófilo André Santana e seus amigos da confraria Cheira Rolha, com dois exemplares de vinícolas reconhecidas pela qualidade de seus produtos, situadas no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves: a Milantino e a Larentis.


Apesar de elaborar vinhos estruturados, com boa capacidade de guarda, a vinícola Larentis não tem tradição de armazenagem, comercializando-os mais jovens, sendo o contrário na Milantino. Como a Ancellotta é uma cultivar com elevada presença de polifenóis (antocianas e taninos), e também capaz de aportar boa quantidade de ácidos aos vinhos (tartárico, málicoe/ou lático), resulta em vinhos de corpo médio a forte, com excelente capacidade de amadurecimento e envelhecimento em garrafa, o que privilegia os exemplares de mais idade.



André aprovou ambos os vinhos, ressaltando que o Ancellotta 2012 Larentis tem aromas intensos de frutas negras, coloração violácea, pela juventude, encorpado e grande volume de boca, equilibrado em taninos e ácidos, apesar da boa capacidade para evoluir.



Apesar do maior tempo em garrafa, a potência da cultivar ainda se verifica no Ancellotta 2006 da Milantino, com taninos vivos, mas maduros, e acidez presente e macia. Com aromas terciários complexos do tempo na garrafa, com ésteres e outros precursores, mantém um leve toque de madeira, No paladar, estruturado, de corpo médio, e boa persistência de fundo de boca. Ambos ótimos vinhos, muito gastronômicos.