E a confraria I’Bei voltou a se reunir para comemorar a amizade, os bons vinhos e a boa comida, e sobretudo, celebrar a vida como deve ser. Democrática, com degustações de rótulos do Brasil e do mundo, desta vez o confrade Luciano Canossa, anfitrião, não teve outra alternativa a não ser colocar somente brasileiros, pois nenhum outro país elabora vinhos tintos varietais com a uva Ancellotta, somente os produtores e enólogos brasileiros aceitaram este desafio. Por ser cultivar extremamente tintória e tânica, é usada como corte (assemblage) para dar mais cor e corpo a outros vinhos, não havendo a audácia de se vinificá-la sozinha em outros países. Na minha opinião, os viticultores e enólogos do Brasil não somente venceram esta peleja, como mostraram ao mundo os excelentes resultados desta cultivar italiana. Vinhos encorpados com ou sem passagem por carvalho, violáceos, com taninos e acidez vivos quando jovens, suportam longos períodos de maturação na garrafa, gerando vinhos complexos no olfato e paladar. Sabedor destas características, Luciano harmonizou os 7 rótulos degustados com dois costelões gaúchos. O silêncio durante o jantar fez o encontro da confraria parecer o momento das preces individuais em uma cerimônia religiosa. Casamento perfeito entre vinho e comida. Isto nos ensina que não devemos desprezar ou criticar uma variedade pelas suas características; o erro está em nós, por não sabermos harmonizá-la com os pratos corretos. Afinal, o vinho é uma bebida gastronômica, e nós precisamos nos encaixar a ele, e não o contrário.