Nos dias 02 e 03 de junho de 2016 tive a satisfação de participar de um dos eventos mais interessantes e agradáveis direcionado ao estudo do vinho desde que me tornei enófilo. Tratou-se das oficinas de degustação que ocorreram na cidade de Florianópolis - SC, na Fundação BADESC, em comemoração ao Dia do Vinho Catarinense. Pensado e estruturado pela arquiteta e entusiasta da cultura do vinho brasileiro, Márcia Maluf Palei, a V Mostra do Vinho Catarinense teve, além das degustações para enófilos (iniciantes ou experientes) como nos anos anteriores, uma ótima surpresa; a realização de duas oficinas para deficientes visuais, que tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da história do vinho catarinense e, claro, degustar tecnicamente os rótulos presentes no evento.


Comemorado no primeiro domingo de junho, resultado de um projeto de lei do deputado estadual Padre Pedro Baldissera – PT - SC, a produção de vinhos em Santa Catarina vem se expandido fortemente nas últmas décadas, tendo sido aprovada, recentemente, outra lei do mesmo deputado que define as cinco regiões vitivíníferas do estado (Região Sul, do Vale, da Serra, Meio Oeste e Oeste), o que possibilitará a demarcação dos roteiros enoturísticos, englobando as vinícolas e as atividades de apoio, como hotéis, restaurantes, pequenos produtores do agroturismo, artesãos, entre outros.



MINHA PARTICIPAÇÃO NO EVENTO 


Ao ter conhecimento do blog Adega do Chamon e ciência de que, assim como ela, há mais de 20 anos sou um defensor do vinho fino do Brasil, Márcia Palei me convidou para participar das comemorações do Dia do Vinho Catarinense, o que muito me alegrou, pois adoro a tipicidade de seus vinhos, além de ampliar o contato com produtores e enólogos do estado.


Porém, o que me deixou ainda mais surpreso e honrado foi o convite para assumir as duas oficinas de degustação da tarde do dia 03, dividindo a responsabilidade com o enólogo Jucélio Kulmann de Medeiros, que ministrou as oficinas na tarde do dia 02. Todo o grupo me recebeu com muita simpatia, entendendo que o meu objetivo é apoiar as iniciativas que valorizam o vinho e o espumante do Brasil.

 


A V MOSTRA DO VINHO CATARINENSE



Simplicidade, voluntariado e momentos de grande interação entre organizadores e participantes marcaram os dois dias do evento, com excelente entusiasmo por parte dos enófilos que atenderam às oficinas de manhã e a tarde. Desde o começo, Márcia deixou claro que a intenção era valorizar o vinho e o espumante catarinenses, englobando todas as regiões produtoras, e não favorecer ou divulgar empresas ou marcas. A cultura do vinho, a importância de incorporar a bebida à vida diária dos brasileiros e os requisitos técnicos para a sua boa degustação foram os motes da campanha.

As degustações seguiram a metodologia técnica da enologia, com o serviço de brancos, tintos e espumantes, sendo que em todas as etapas os vinhos mais leves foram servidos antes (e o espumante Brut Seco antes do Moscatel Suave).



OFICINAS MATUTINAS


Nas duas manhãs ocorreram os encontros destinados aos deficientes visuais, os quais demonstraram grande interesse em se integrar ao mundo do vinho, utilizando suas habilidades olfativas e gustativas ampliadas pela falta da visão. Ministradas por Márcia, as oficinas foram um sucesso, confirmando o excelente resultado das ações destinadas a públicos com deficiência física.



OFICINAS VESPERTINAS


Com 15 enófilos por seção, as quatro oficinas da tarde (duas em cada dia) foram bastante proveitosas (com mais de 300 inscritos na fila de espera), com os participantes demonstrando grande interesse em se aprofundar nas técnicas de degustação e na compreensão dos vinhos e espumantes. Fato que muito me agradou, a maioria era de mulheres e jovens, composição bastante diferente de quando eu participava dos encontros na década de 1990, dominados por homens acima de 50 anos. Um ótimo exemplo desta diversificação é o fato de o enólogo e professor do IFSC – Campus Florianópolis, Jucélio Kulmann (formado no IFRS – Campus Bento Gonçalves), e parceiro de Márcia desde a primeira Mostra, ter 28 anos e possuir um conhecimento que impressiona. Em suas oficinas da quinta, puxei uma cadeira e me tornei o 16° sexto ouvinte, tendo duas grandes aulas de viticultura e enologia.


As oficinas de sexta à tarde ficaram sob minha responsabilidade, e acredito ter desempenhado bem o meu papel, atendendo às expectativas dos organizadores e participantes. Apresentei com entusiasmo os vinhos catarinenses, havendo muita descontração entre os presentes. O interesse dos participantes em conhecer questões técnicas da viticultura e da enologia era grande, e o “ritual” necessário para se degustar um vinho foi compreendido como positivo, e não uma “frescura”, como críticos costumam dizer.



OS VINHOS OFERECIDOS NAS OFICINAS


Conforme enfatizei, o objetivo das comemorações do Dia do Vinho Catarinense é divulgá-lo aos próprios catarinenses e ao Brasil, ressaltando a qualidade dos produtos elaborados no estado a partir de degustações temáticas que discutem a tipicidade da região, e não fazer propaganda desta ou daquela vinícola. Por este motivo, respeitarei este enfoque e não farei, nesta matéria, análises dos produtos degustados, limitando-me a afirmar que os vinhos e espumantes de Santa Catarina são de grande qualidade, sendo necessário que entendamos suas características para que possamos apreciá-los com competência.


A diversidade de terroirs das cinco regiões, com clima, relevo e solo completamente diferentes entre si, tornam as 111 empresas vitivinícolas registradas do estado um desafio a nós, enófilos. Na Mostra, vinhos de três vinícolas foram oferecidos: Vinícola Panceri, Vinícola Santa Augusta e Vinícola Farina.



Eu já estou ansioso para voltar a Santa Catarina, agora para novamente visitar vinícolas, como fiz em várias oportunidades. As belezas naturais e das vinícolas de lá são inesquecíveis. Até breve, catarinenses.


Um brinde a todos!!!!